Região
Feovelha chega à 42ª edição mantendo a ovinocultura como essência
por Melissa Louçan
Quando a Feovelha abriu as porteiras, há mais de quatro décadas, Pinheiro Machado já tinha na ovinocultura um dos pilares da sua identidade. Ao longo de 41 edições, a feira cresceu, se diversificou e ampliou o diálogo com novos públicos, mas sem perder o que a tornou referência nacional: a valorização do produtor, da genética e do conhecimento técnico ligado ao setor ovino.
Realizada pelo Sindicato Rural de Pinheiro Machado, a Feira e Festa Estadual da Ovelha consolidou-se como uma das principais vitrines da ovinocultura brasileira. Hoje, é reconhecida não apenas no Rio Grande do Sul, mas também por criadores de outros estados e até de fora do país, que veem no evento um espaço qualificado para negócios, troca de experiências e atualização técnica.
Para o presidente do Sindicato Rural, Paulinho Alves, a trajetória da Feovelha é marcada por mudanças que ampliaram o alcance do evento, sem descaracterizá-lo. A inclusão da agricultura familiar, das palestras, dos espaços de formação e da programação cultural ajudou a aproximar a feira do público urbano e regional. Ainda assim, segundo ele, a essência segue preservada. “A diversificação jamais mudou a essência. O carro-chefe da Feovelha sempre foi e continua sendo a ovinocultura”, afirma.
Essa base se sustenta especialmente nos remates, nos julgamentos e nas parcerias técnicas, com destaque para a atuação conjunta com a Associação Brasileira de Criadores de Ovinos - ARCO, entidade que historicamente contribui para qualificar a genética e fortalecer a credibilidade da feira. A busca por inscrições, a valorização dos técnicos e o incentivo à profissionalização dos criadores seguem como pontos centrais da programação.
Ao mesmo tempo, a Feovelha passou a dialogar de forma mais direta com os desafios contemporâneos do campo. Temas como gestão da propriedade, inovação, tecnologia e adequação às mudanças tributárias entraram na pauta do evento, acompanhando a transformação do perfil do produtor rural. A ideia, segundo a organização, é aproveitar os dias da feira para que o ovinocultor também tenha acesso a conteúdos que impactam diretamente a sustentabilidade do negócio.
A projeção para a edição de 2026 reforça essa dimensão ampliada. A expectativa da organização é receber, no mínimo, 50 mil visitantes ao longo dos dias de evento, com destaque para a ampliação da arena de shows e para o acesso gratuito ao parque e às atrações culturais, que é um dos diferenciais que ajudam a atrair público de municípios vizinhos e de polos maiores.
No campo econômico, a Feovelha também mantém peso significativo. Em 2025, o volume de negócios ultrapassou a casa dos R$ 2 milhões, somando remates, comercialização de animais, agricultura familiar, máquinas, veículos, comércio e praça de alimentação. Para este ano, a projeção é de crescimento. “A gente trabalha sempre com a meta de superar o ano anterior, no mínimo em mais 50%”, projeta Paulinho.
Para além dos números, o presidente do Sindicato Rural destaca que a força da Feovelha está na marca construída ao longo do tempo. “Ela consolidou uma identidade própria. A marca Feovelha se firmou no Brasil inteiro, e isso faz com que o evento praticamente ande por si”, resume. Segundo ele, o desafio da organização hoje é justamente fazer o “dever de casa”: planejar, manter a qualidade e preservar aquilo que fez da feira um símbolo de Pinheiro Machado.

