Esportes
Lei do Ex e explosão: Welder decide e conduz o Guarany à terceira fase
por Yuri Cougo Dias
Autor do gol que garantiu a vitória por 1 a 0 do Guarany sobre o Caxias, na noite de quarta-feira, 25, no Estádio Centenário, o centroavante Welder escreveu mais um capítulo decisivo de sua relação com o clube — e com o próprio adversário. Ex-jogador grená em 2025, ele aplicou a conhecida “Lei do Ex” e carimbou a classificação alvirrubra à terceira fase da Copa do Brasil.
O gol teve peso técnico e simbólico. No gramado do Centenário, a bola na rede provocou uma polaridade de emoções típica do futebol. De um lado, a explosão alvirrubra: jogadores do Guarany correram para abraçar o camisa nove, formando uma pilha humana que contou até com a presença do médico Jorge Kaé Filho. Na arquibancada, a Barra do Índio respondeu com aplausos e gritos. Do outro, vieram as fortes vaias do torcedor grená — reação à Lei do Ex e também reflexo da frustração de quem via a equipe caminhar para a terceira eliminação consecutiva em casa em menos de duas semanas.
O roteiro da noite dialoga diretamente com a trajetória recente de Welder no clube. Recebido com grande expectativa pela torcida, por carregar o status de ídolo recente, o centroavante teve a pré-temporada comprometida por lesão. O problema físico desmontou o planejamento inicial e obrigou o então técnico William Campos a acelerar etapas.
Na estreia do Gauchão, ainda com minutagem controlada — cerca de 30 minutos em campo — Welder já deixou sua marca ao fazer o gol de empate diante do Monsoon. Na rodada seguinte, contra o Ypiranga de Erechim, atuou todo o segundo tempo e participou da jogada que terminou em gol contra do adversário.
A partir da terceira rodada, assumiu a titularidade. E o destino já cruzava seus caminhos com o Caxias: na derrota por 4 a 1 no Centenário, foi dele o gol de desconto do Guarany. Depois disso, porém, o rendimento caiu junto com o restante da equipe, e o camisa nove acumulou três partidas sem marcar.
O período turbulento ainda reservou mais obstáculos. Na segunda rodada do quadrangular do rebaixamento, Welder sentiu lesão no aquecimento contra o Avenida, nos Eucaliptos, e sequer entrou em campo. Para agravar, acabou expulso do banco de reservas por reclamação. Julgado posteriormente, recebeu punição de quatro jogos — já havia cumprido um.
A virada de roteiro começou com a chegada do técnico Gelson Conte. Com Welder ainda às voltas com suspensão automática, o treinador optou por submetê-lo a um intensivo físico — a mesma aceleração de preparação que havia faltado no início da competição. O ambiente também mudou. O grupo respirou novo oxigênio.
{AD-READ-3}O ponto de inflexão veio horas antes do confronto decisivo contra o Inter de Santa Maria. O Departamento Jurídico do Guarany obteve efeito suspensivo, liberando o atacante. E o destino tratou de colocá-lo novamente no centro da história: Welder marcou o gol da vitória por 1 a 0 em Santa Maria, resultado que deixou o clube muito próximo da permanência na primeira divisão.
Com o gol decisivo, Welder recoloca seu nome entre os protagonistas da campanha e conduz o Guarany a mais um capítulo histórico — o próximo deles em Campinas, diante da Ponte Preta, pela terceira fase da Copa do Brasil.

