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Cidade

Afinador mantém tradição da gaita gaúcha viva

Em 05/03/2026 às 08:31h
Rochele Barbosa

por Rochele Barbosa

Afinador mantém tradição da gaita gaúcha viva | Cidade | Jornal Minuano | O jornal que Bagé gosta de ler
Dilomar também é músico e integra a dupla Luis e Dilomar / Foto: Divulgação

Há 15 anos, a curiosidade foi o ponto de partida para uma trajetória que hoje se tornou referência entre músicos da região. Foi quando a própria gaita começou a apresentar problemas que Dilomar Pacheco Jardim decidiu desmontá-la para entender seu funcionamento. O que começou como necessidade virou paixão — e profissão. Autodidata, ele aprendeu sozinho os segredos da manutenção e afinação do instrumento que é símbolo da cultura gaúcha.

Além de afinador, Dilomar também é músico e integra a dupla Luis e Dilomar, levando aos palcos a mesma dedicação que aplica na bancada de trabalho. Para ele, compreender o instrumento por dentro transforma também a forma de tocá-lo.

Um trabalho minucioso e complexo

A afinação de uma gaita está longe de ser um simples ajuste. Segundo Dilomar, o processo exige que o instrumento seja completamente desmontado. É feita uma limpeza detalhada no musicamento, seguida da retificação das paletas — pequenas lâminas metálicas responsáveis pelo som — para alcançar a afinação correta. Também é necessária a troca das válvulas, etapa fundamental para garantir vedação e qualidade sonora. “É um trabalho árduo e demorado”, resume ele. A complexidade técnica é o que torna cada instrumento um desafio único.

Problemas mais comuns

Entre os defeitos mais frequentes que chegam até sua oficina estão paletas quebradas, vazamento de ar no fole e nas sapatas, além de problemas nas mecânicas dos baixos. Quando a gaita apresenta falhas na afinação, o procedimento inclui uma revisão completa: troca de válvulas, limpeza das vozes e enceramento novo. Já nos casos em que o problema está no fole, pode ser feito um reparo específico ou até mesmo a confecção de um fole novo, dependendo do estado do instrumento.

Confiança que vira reconhecimento

Dilomar afirma sentir orgulho da responsabilidade que carrega. Para ele, cada gaita entregue para conserto representa a confiança de outro músico em seu trabalho. “A procura dos músicos da região é muito gratificante. Se trazem a gaita para que eu conserte, é sinal de que confiam em mim”, destaca.

A gaita como símbolo cultural

Instrumento protagonista da música tradicionalista, a gaita ocupa lugar central na identidade do Rio Grande do Sul. Dilomar acredita em um futuro promissor para o instrumento, especialmente pelo crescente interesse de jovens aprendizes.

Ele destaca o incentivo de iniciativas como a Fábrica de Gaiteiros, idealizada pelo músico Renato Borghetti, que estimula crianças e adolescentes a aprenderem e valorizarem a música tradicionalista.

Entre acordes e ajustes milimétricos, Dilomar Pacheco Jardim mantém viva uma tradição que atravessa gerações — seja no palco, ao lado de Luis, seja na oficina, onde cada gaita afinada carrega um pouco da história e da cultura gaúcha.

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