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Estado

Mais de 21% da população de Hulha Negra recebe benefícios sociais

Em 06/03/2026 às 10:00h

por Redação JM

Mais de 21% da população de Hulha Negra recebe benefícios sociais | Estado | Jornal Minuano | O jornal que Bagé gosta de ler
Prefeito compara trajetória da cidade com a de municípios vizinhos, que conseguiram avançar em arrecadação / Foto: Arquivo JM

As transferências relacionadas a programas sociais, feitas pela União, contemplaram pouco mais de 21,8% da população de Hulha Negra no ano passado, totalizando R$ 9,3 milhões no período. O resultado coloca a cidade na décima colocação entre os municípios gaúchos que mais receberam recursos pelo percentual da população e na primeira posição na região, representando, porém, uma grande mudança no comparativo com 2024, quando os benefícios sociais contemplaram mais de 37% da população.

De acordo com levantamento da Controladoria-Geral da União (CGU), o maior percentual corresponde ao pagamento do Bolsa Família, alcançando 16,6% da população, totalizando R$ 6,6 milhões em transferências. O Benefício de Prestação Continuada (BPC) alcança pouco mais de 2,35% da população, totalizando R$ 2,6 milhões.

O prefeito de Hulha Negra, Fernando Campani, avalia que o município carrega, ao longo de sua trajetória, dificuldades estruturais que ainda não foram superadas, especialmente nos campos social e econômico. Ainda de acordo com o chefe do Executivo, o município, que se aproxima de 40 anos de emancipação, não conseguiu, ao longo das décadas, corrigir parâmetros fundamentais relacionados ao bem-estar da população. Questões como alimentação adequada, apoio à juventude, inclusão social e geração de emprego continuam sendo desafios centrais. “Esse cenário ajuda a explicar o elevado número de famílias atendidas por programas de benefícios sociais, reflexo direto de déficits históricos no desenvolvimento socioeconômico local”, pontua.

Campani também destaca que Hulha Negra não registrou incremento significativo de receita ao longo dos anos, o que limita a capacidade de investimento e expansão dos serviços públicos. Além disso, apontou fragilidades na própria estrutura administrativa do município, que, até então, não contava com um estatuto do funcionalismo público — medida que, segundo ele, está sendo encaminhada por sua gestão como parte de um esforço de modernização e organização institucional.

No campo da infraestrutura, o prefeito ressalta a necessidade urgente de buscar recursos para obras estruturantes, como a melhoria das estradas e do abastecimento de água. Para ele, esses investimentos são essenciais para que a cidade avance em sua consolidação como um município estruturado e capaz de atender com dignidade às demandas da população.

Foco no desenvolvimento

Diante desse histórico, o prefeito reforça que a atual administração tem direcionado suas ações para o fortalecimento do pequeno agricultor, do pequeno comerciante e do trabalhador que busca inclusão produtiva. Campani enfatiza a importância dos programas de formação e qualificação profissional, destacando, por exemplo, o custeio do transporte de jovens que estudam em Bagé, seja em cursos técnicos ou no ensino superior. Para o chefe do Executivo, o desenvolvimento sustentável da cidade passa, necessariamente, pela formação de uma nova geração capacitada para disputar espaço no mercado de trabalho ou oferecer serviços qualificados à comunidade.

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Programas como o Bolsa Família, embora fundamentais para garantir renda e dignidade às famílias em situação de vulnerabilidade, evidenciam, na visão do prefeito, a ausência de um crescimento socioeconômico mais robusto no passado. Para o chefe do Executivo, o desafio agora é transformar essa realidade, promovendo inclusão social, investimentos estruturantes e oportunidades que permitam ao município superar o que chamou de um período de estagnação.

O prefeito compara a trajetória de Hulha Negra com a de municípios vizinhos, como Pedras Altas e Aceguá, que, segundo ele, conseguiram avançar em arrecadação e desenvolvimento. Na avaliação de Campani, Hulha Negra não estruturou, ao longo de sua história, mecanismos consistentes de desenvolvimento econômico, o que resultou na atual dependência mais acentuada de programas assistenciais.

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