Esportes
Guarany vive noite histórica contra a Ponte Preta pela Copa do Brasil
por Yuri Cougo Dias
O Guarany entra em campo nesta terça-feira, 10, às 21h30, para um dos momentos mais marcantes de sua história. A equipe bajeense enfrenta a Ponte Preta pela terceira fase da Copa do Brasil, no Estádio Moisés Lucarelli, em Campinas-SP. O confronto terá projeção nacional, com transmissão pelo SporTV, Premiere e pelo canal do GE no YouTube.
Além do caráter inédito do duelo (a primeira vez que uma equipe de Bagé atua oficialmente em solo paulista), a partida também representa um marco para o futebol da metade sul do Rio Grande do Sul. Pela primeira vez na história, um clube da região da Campanha chega à terceira fase da Copa do Brasil. Agora, são apenas 90 minutos para decidir se a campanha termina ou se o Guarany seguirá fazendo história ao alcançar uma também inédita quarta fase da competição.
Com o encerramento da participação no Campeonato Gaúcho, o Guarany pode concentrar totalmente suas atenções no torneio nacional. O próximo compromisso da equipe no calendário será apenas no dia 4 de abril, quando começa o Campeonato Brasileiro Série D.
Caso avance diante da Ponte Preta, o time bajeense voltará a campo entre os dias 17 e 19 de março, novamente fora de casa, contra o vencedor do confronto entre Atlético Goianiense e Gazin Porto Velho, que se enfrentam nesta quarta-feira, 11, às 20h30, em Roraima. Esta etapa é a última antes da entrada dos clubes da Série A do Campeonato Brasileiro.
Encerramento do Gauchão
O Guarany encerrou sua participação no Gauchão no sábado, 8, com derrota por 2 a 0 para o Monsoon, no Estádio Passo D’Areia, em Porto Alegre. Mesmo com o resultado, terminou na liderança do quadrangular do rebaixamento, somando oito pontos e duas vitórias.
O Monsoon também chegou aos oito pontos e garantiu permanência na elite com uma vitória e saldo de dois gols. Já o Avenida ficou em terceiro lugar, também com oito pontos, após empatar em 0 a 0 com o Inter de Santa Maria, que terminou na quarta posição com quatro pontos e foi rebaixado.
Na classificação geral do estadual, o Guarany finalizou em nono lugar entre 12 equipes e assegurou presença na primeira divisão do futebol gaúcho pela quarta temporada consecutiva em 2027. A última sequência superior havia ocorrido entre 1975 e 1982.
A expectativa no início da temporada era disputar o título da Taça Farroupilha, que acabou conquistada pelo São Luiz de Ijuí. No entanto, a partir da chegada do técnico Gelson Conte, a equipe reagiu no quadrangular final e garantiu a permanência na elite com uma rodada de antecedência, fator considerado fundamental para o desenvolvimento do clube.
Logística e preparação
Para otimizar a logística entre os compromissos, a delegação do Guarany permaneceu em Porto Alegre após o jogo de sábado e, no domingo, seguiu diretamente para Campinas. A proximidade entre as partidas tornava praticamente inviável um retorno a Bagé, o que poderia aumentar o desgaste físico dos atletas.
Do outro lado, a Ponte Preta chega ao confronto sem atuar desde 15 de fevereiro, quando entrou em campo pelo Campeonato Paulista.
Saídas no elenco
A projeção nacional conquistada pelo Guarany, especialmente após a vitória por 1 a 0 sobre o Caxias, no Estádio Estádio Centenário, pela Copa do Brasil, começou a gerar mudanças no elenco.
A primeira saída foi do volante Murilo Cavalcante, que se transferiu justamente para a Ponte Preta, clube que além da Copa do Brasil também disputará o Brasileirão Série B. Um acordo entre as diretorias definiu que o jogador não atuará na partida desta terça-feira.
No fim de semana, outra baixa importante foi confirmada. O Guarany anunciou a saída do atacante Welder, um dos maiores ídolos da história recente do clube, que recebeu proposta para atuar no futebol asiático, mais especificamente no Vietnã. No sábado, contra o Monsoon, o centroavante esteve no banco de reservas apenas de forma simbólica, já que o negócio estava fechado, mas ele quis viajar com a delegação.
Com a camisa alvirrubra, Welder disputou 64 partidas e marcou 41 gols, números que o colocam entre os principais destaques recentes da equipe. Na atual temporada, teve papel decisivo tanto na permanência na elite do Campeonato Gaúcho quanto na campanha que levou o Guarany à terceira fase da Copa do Brasil.
Elenco reduzido
Com duas baixas importantes e um elenco já reduzido, o Guarany tenta superar as dificuldades para seguir fazendo história. O zagueiro Bruno Cardoso e o volante David Cunha ainda estão em fase final de recuperação e não estarão aptos para o confronto. Já o goleiro Jonathan deve retornar apenas para a disputa da Série D.
Diante disso, a provável escalação do Guarany tem: Thiago Gonçalves; Raphinha, Albert, Jean Martim e Vítor Oliveira; Marcão, Paulinho, Marquinhos, Adaílson e Tony Júnior; Lucão.
A Ponte Preta, comandada por Rodrigo Santana, deve iniciar a partida com: Diogo Silva; David Braz, Rodrigo Souza e Diego Leão; Pacheco, Saravia, Tarik, Elvis e Kevyson; Cafu e William Pottker.
Adversário em reformulação
A Ponte Preta chega ao confronto em meio a um processo de reestruturação. O clube conquistou em 2025 o título da Campeonato Brasileiro Série C, o primeiro título nacional de sua história, mesmo enfrentando problemas financeiros e salários atrasados durante a competição.
Após a saída do técnico Alberto Valentim durante a campanha, a equipe foi comandada por Marcelo Fernandes na reta final e conquistou o acesso e o título. Já em 2026, a equipe enfrentou dificuldades no Paulistão, incluindo greve de jogadores, ausência de pré-temporada e problemas para registrar atletas devido a um transfer ban, o que culminou no rebaixamento para a Série A-2.
Recentemente, o clube anunciou mudanças na comissão técnica e na diretoria, iniciando uma reformulação para a disputa da Série B do Brasileirão e da sequência da temporada.
Série D no horizonte
{AD-READ-3}Paralelamente à campanha na Copa do Brasil, o Guarany também já conhece seu caminho no Brasileirão Série D. O clube integra o grupo A-16 ao lado de São Luiz de Ijuí, Santa Catarina FC, Joinville-SC, Cianorte-PR e Cascavel-PR.
A edição de 2026 será a mais inclusiva da história da competição, com 96 clubes. Na primeira fase, os times se enfrentam em turno e returno dentro dos grupos, totalizando 10 rodadas. Em seguida, o torneio passa ao sistema de mata-mata até a final. Os quatro semifinalistas garantem acesso à Série C, enquanto outras duas vagas serão definidas em play-offs entre os clubes eliminados nas quartas de final.

