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Teatro de Pinheiro Machado é reinaugurado após 15 anos fechado
por Redação JM
O teatro de Pinheiro Machado reabriu, no domingo, após 15 anos fechado. A reforma teve início em 2024 e envolveu recuperação estrutural, pintura, atualização elétrica e adequação ao Plano de Prevenção e Proteção Contra Incêndio (PPCI). O investimento total foi de cerca de R$ 1 milhão, incluindo a troca de cadeiras, iluminação e cortinas de palco. A capacidade atual do espaço é de 250 lugares.
O Teatro Municipal Ludovico Pórzio foi inaugurado em 1938. A edificação, localizada no centro de Pinheiro Machado, tem valor histórico, arquitetônico e cultural, representando a arquitetura proto-racionalista da cidade. A estrutura também abriu o Cine Lux, sala de cinema inaugurada no final da década de 1970.
Segundo o prefeito de Pinheiro Machado, Ronaldo Madruga, do Progressistas, durante o período em que o teatro esteve fechado ele acumulou restos de materiais de atividades anteriores. "Retiramos 28 caçambas de lixo", enumera, ao destacar que parte da reforma elétrica foi executada por servidores municipais, enquanto a recuperação da estrutura contou com uma empresa contratada. A gestão da cultura no espaço ficará vinculada à Secretaria de Educação e Cultura.
A reinauguração contou com o show musical do cantor Dani Vendramini e a exibição do curta-metragem Lanceiros Negros - Apagados da História,realizado por estudantes do 8º ano e da EJA da Escola Neli Betemps, em Candiota, sob orientação da professora Juacema Costa Lima. A obra retrata a participação dos negros escravizados na Guerra dos Farrapos (1835-1845), focando na promessa de alforria não cumprida e no trágico fim no Cerro de Porongos, hoje localizado em Pinheiro Machado.
Ao destacar a importância do filme para a memória da cidade, Juacema destaca que muitos pinheirenses ainda desconhecem o Massacre de Porongos, abordado na obra que conquistou prêmios de Melhor Filme Júri Popular e Melhor Roteiro no 14º Festival Internacional de Cinema da Fronteira.
A diretora e atores do filme participaram da exibição, combinando cenas ao vivo com trechos da obra. O ator Edson Valério Farias, aposentado e conhecido como Pelé, marcou a apresentação reproduzindo no palco a cena final do curta-metragem. Pelé, que tem uma trajetória particular com o teatro, retornou ao palco cerca de duas décadas depois de sua formatura, na EJA. "Foi um momento muito marcante, como este. Nunca imaginei atuar desta forma e voltar como ator", explica, ao celebrar a reinauguração do teatro.

