Cidade
Magistrada fala sobre desafios da Justiça Eleitoral e participação feminina na política
por Melissa Louçan
Após tomar posse como membro efetivo do Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul (TRE-RS), na classe dos Juízes de Direito, a magistrada Madgéli Frantz Machado concedeu entrevista ao Jornal Minuano e falou sobre os desafios da Justiça Eleitoral, o combate à desinformação e a importância de ampliar a participação das mulheres na política. Natural de Dom Pedrito e formada em Direito pela Universidade da Região da Campanha (Urcamp) em 1994, ela integra a Corte eleitoral no biênio 2026-2028.
Ao comentar a nova função, Madgéli destaca o significado institucional e simbólico da nomeação. “Assumir como desembargadora do TRE-RS, na classe dos Juízes de Direito, é uma honra e impõe muita responsabilidade. Mais do que alcançar uma etapa na minha trajetória profissional, também transcende a dimensão pessoal, especialmente pela representatividade do cargo que ocupo, como mulher e magistrada”, afirma. Para ela, ocupar um espaço de decisão também representa a continuidade da luta histórica das mulheres por direitos e participação na vida pública.
Entre os desafios da Justiça Eleitoral, a magistrada aponta a necessidade de constante vigilância diante de novas formas de interferência no processo democrático. “O combate à desinformação e a fiscalização quanto ao uso adequado da inteligência artificial na campanha eleitoral são ações fundamentais para que se garanta a liberdade de expressão político-eleitoral, com isonomia, transparência e fortalecimento do processo democrático brasileiro”, observa.
Com quase 29 anos de magistratura no Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS), Madgéli construiu grande parte de sua trajetória na atuação contra a violência e as desigualdades de gênero. Mais da metade desse período foi dedicada ao enfrentamento da violência doméstica e de diferentes formas de discriminação contra mulheres. “Tenho atuado em contextos em que a desigualdade de gênero se revela de maneira mais dura e, às vezes, silenciosa, onde a violência, o preconceito e a exclusão comprometem não apenas direitos individuais, mas a própria dignidade humana”, ressalta.
Essa experiência, segundo ela, também orienta sua atuação na Justiça Eleitoral, especialmente diante do aumento dos casos de violência política de gênero registrados no país nos últimos anos. Para a magistrada, fortalecer mecanismos de denúncia, ampliar ações de conscientização e garantir um ambiente político seguro são medidas fundamentais para assegurar a participação feminina e consolidar a democracia.
A magistrada também chama atenção para a importância de ampliar o debate sobre cidadania e igualdade de direitos no país. Para ela, a consolidação da democracia passa também pela formação social e política da população: “Um dos grandes desafios é a educação para a cidadania, que inclui, necessariamente, os direitos humanos das mulheres, com ênfase no gênero e em suas interseccionalidades”.

