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Cidade

Enio Nocchi

Cássio Lopes, historiador

Em 25/03/2026 às 14:51h

por Melissa Louçan

Enio Nocchi | Cidade | Jornal Minuano | O jornal que Bagé gosta de ler
Foto: Arquivo Pessoal

Enio Del Geloso Nocchi nasceu em 01 de fevereiro de 1939, na cidade de Bagé, Rio Grande do Sul. Filho dos imigrantes italianos Rosindo e Ilda Nocchi, que chegaram ao Brasil em 1929, via o Porto de Santos, em São Paulo. Junto com o casal veio a filha Nice, na época com 10 anos. A família se radicou na localidade de Hulha Negra, onde já residiam outros imigrantes italianos. Ali cresceu e viveu sua primeira infância.
Foi um menino muito ativo e moleque, sempre contava com alegria sobre uma vez em que entrou na igreja montando um cavalo, e que o padre ficara horrorizado, entre tantas
outras peripécias. Após, foi estudar em Bagé, no Colégio Auxiliadora em regime de internato. Na época, a família ainda residia em Hulha Negra, mas com tempo mudou-se para a Rainha da Fronteira.
A convivência com sua família foi curta, pois aos quatorze anos ficou sozinho no mundo. Sua irmã foi a primeira a falecer, de tuberculose, deixando a família muito triste. Passados alguns anos, foi seu pai quem faleceu e por último perdeu a mãe, vítima de um câncer. Durante o período da doença da mãe, foi quando conheceu a Cléo, que mais tarde viria ser sua esposa. Ela era sua professora no curso de datilografia, localizado na casa dos pais dela. No tinir das teclas e no tramado dos dedos surge a teia
da vida que o ampararia para seguir sua caminhada. Teia cheia de amor e um romance, que talvez nem eles soubessem, duraria uma vida inteira e seria o “lar” e o “aconchego”
onde Enio encontraria forças para se desenvolver e desabrochar suas potencialidades e qualidades.
Casaram-se em 24 de dezembro de 1956. Constituíram uma linda família com três filhos. Juntos se apoiaram na busca de formação profissional e trabalho que garantisse
uma vida digna para a família. Os pais de dela, Maria Petrona e Dalci Vasconcellos juntamente com seus filhos Theo, João Roberto e Maria do Carmo, acolheram o jovem Enio, e este logo os cativou tornando-se um membro muito querido por todos.
Após a morte da mãe, morou por um tempo no ”Hotel Rio Grandense”. Na época que perdeu a família, foi amparado pelo seu tio paterno e padrinho Fernando Nocchi, também vindo da Itália, que morava em Bagé e já tinha certa estabilidade financeira. Auxiliado pela família deste, Enio enfim, conclui seus estudos no Colégio Auxiliadora. Logo após, em 1955 foi trabalhar como “contínuo” nos escritórios da ARCO (Associação Rio-grandense de Criadores de Ovinos). Ali, trilhou uma linda carreira, pois suas qualidades foram reconhecidas e valorizadas, obtendo muito apoio do presidente da entidade daquela época. Passou a auxiliar de escritório e depois se tornou supervisor administrativo, cargo que ocupou até se aposentar, o que veio a acontecer muito cedo, pois ainda era novo e com muita vontade de labutar. Nunca abandonou o conhecimento, pois adorava estudar, buscando constantemente se aperfeiçoar.

Em 1964, concluiu o curso de Técnico em Contabilidade pela Escola Técnica de Comércio Dr. Antenor Gonçalves Pereira (atual EMEF Geteco - Dr. Antenor Gonçalves
Pereira). Em 1969, tornou-se Bacharel em Ciências Econômicas pela Faculdade de Ciências Econômicas, ano em que também ingressou no Magistério Público Estadual como
professor. Concomitante também atuou como professor, no turno da noite, de Técnicas Contábeis no SENAC (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial).
No ano de 1970, ingressou como professor na FAT (Fundação Atila Taborda) na Faculdade de Ciências Econômicas. Concluiu em 1975, os Cursos de Especialização em Administração e Especialização em Metodologia da Pesquisa, ambos pela UFSM (Universidade Federal de Santa Maria). Em 1978, concluiu a Especialização em Extensão Universitária pela antiga FunBa (Faculdades Unidas de Bagé) atual Urcamp (Centro Universitário da Região da Campanha). Em 1997, especializou em Formação de Consultores Empresariais pela URCAMP.
Em 2001, concluiu o Mestrado em Integração e Cooperação Internacional pela Universidade Nacional de Rosário na Argentina. Desde 1970, dedicou-se à docência universitária, carreira que desenvolveu com dedicação e responsabilidade. Foi uma linda e longa jornada coroada de êxitos e compartilhada por muitos amigos. Em 1989, foi eleito Diretor da Faculdade de Ciências Econômicas que se transformou, na transição para Universidade da Região da Campanha - URCAMP, em Centro de Ciências da Economia e Informática - CCEI, que abrigava os Cursos de Administração, onde era coordenador, Ciências Contábeis e Informática. Cargos que ocupava quando adoeceu e veio a falecer em junho de 2010.
Em seu trabalho com gestor foi muito reconhecido, era alegre, bem-humorado e conhecido pelas “piadas” e “pegadinhas” que gostava de aprontar entre seus pares. Dono de um senso de organização e planejamento aguçados, durante sua gestão deu visibilidade a este centro de estudos na universidade, formando muitas turmas de alunos, que até hoje rememoram suas lembranças como “excelente professor”. Seus talentos como gestor estenderam-se para outras áreas além da profissional.
Dedicou-se às causas sociais e filantrópicas durante muito tempo como rotariano, reconhecido pelos seus colegas pela força e entusiasmo com as quais se dedicava a esses
projetos. Era apaixonado pelo tênis, esporte que o acompanhou por toda a vida. Reconhecido pelo seu carisma e capacidade de agregar as pessoas, foi eleito presidente
do Bagé Tênis Clube, onde permaneceu por mais de uma gestão. Também foi um torcedor e um colaborador dedicado ao seu clube do coração, o Guarany Futebol Clube.
A sua vida familiar foi sempre rodeada de filhos, parentes e amigos, pois gostava de reunir as pessoas. Foi um pai dedicado, carinhoso e ao mesmo tempo autoritário, pois
prezava por valores éticos e morais. Trabalhava os três turnos e nos finais de semana se ocupava da família com passeios e momentos de lazer.

No início da sua vida familiar enfrentou muitas dificuldades, porque logo vieram os filhos. Ele e Cléo sofreram a perda precoce de dois filhos em tenra idade, o que os marcou profundamente. Estas feridas foram cicatrizando ao longo da vida com a vinda de outro filho e filhas que preencheram estes vazios: Ricardo, Nice e Ilda Maria. Estes também formaram a teia de suas vidas, casando e gerando filhos, perpetuando sua ancestralidade e sua descendência. Teve cinco netos: Tiago, Rodrigo, Raoni, Filipe e Ismael; e quatro netas: Ananda, Tainá, Érica e Alice. Estes sempre foram motivo de muita alegria para Enio que os ensinou desde cedo a chamarem-no de NONO, apelido carinhoso que o ajudava a manter acesa aquela chama da ancestralidade italiana, que tão precocemente lhe foi tirada.
Por ter enfrentado tantas perdas desde cedo, falava muito pouco em seus ancestrais, mas tinha muito orgulho de ser ”Italiano”, como era chamado por alguns familiares, e
NONO pelos seus netos. Enio foi acometido por uma leucemia e veio a falecer em 08 de junho do ano de 2010, em Porto Alegre, onde foi cremado. Neste dia, a cidade de Bagé viveu a tristeza da perda de tão ilustre cidadão, que muito honrou e fez pela sua cidade natal.

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