Minuano Conecta
Da redação enxuta ao protagonismo regional
por Redação JM
Ao completar 32 anos de circulação, o jornal Minuano consolida uma trajetória que acompanha, e, em muitos momentos, ajuda a narrar, as transformações sociais, culturais e tecnológicas de Bagé e da região da Campanha. Sua história é marcada por adaptações estruturais, inovação editorial e um forte vínculo com a formação acadêmica em jornalismo.
O Minuano iniciou suas atividades como um semanário de 12 páginas. Ainda nos primeiros anos, porém, demonstrou capacidade de expansão. Em 1996, ao completar dois anos, passou a circular duas vezes por semana e, já no último trimestre daquele mesmo ano, transformou-se em diário, um movimento que revela não apenas o crescimento da demanda por informação local, mas também a consolidação de sua estrutura editorial e operacional.
O ano de 1996 também marca uma inflexão institucional importante, com a aquisição do jornal pela Fundação Attila Taborda (FAT), passando a atuar como jornal-laboratório do curso de Jornalismo da Urcamp. Essa mudança ampliou o papel do Minuano para além da cobertura informativa, inserindo-o diretamente na formação de novos profissionais da área. Ao longo das décadas, essa característica contribuiu para um modelo híbrido, que combina prática acadêmica com produção jornalística cotidiana, fortalecendo tanto o ensino quanto o compromisso com a comunidade.
Outro traço distintivo do Minuano é a forma como utilizou seus aniversários como oportunidades de reinvenção. Em 2000, por exemplo, lançou duas edições comemorativas, incluindo uma especial de aniversário, sinalizando uma disposição constante para experimentar formatos e conteúdos. Essa vocação inovadora também se refletiu na criação e reformulação de cadernos temáticos, como Cultura, Informática e Ellas, este último completamente reformulado em 2010, acompanhando mudanças de linguagem e público.
No campo da cobertura jornalística, o Minuano construiu uma memória relevante de acontecimentos que marcaram a história local. Entre eles, destaca-se o incêndio do edifício Avenida, em março de 1997, um episódio que mobilizou a cidade e exigiu uma cobertura intensa e tecnicamente desafiadora. Em um contexto anterior à popularização da fotografia digital, a produção e publicação de imagens dependiam de soluções logísticas específicas, o que inclui um acordo com o estúdio Lírio, que permitia a revelação das fotos fora do horário comercial, viabilizando sua seleção e posterior publicação. Hoje, esse material integra o acervo do Museu Dom Diogo de Souza, mantido pela FAT, constituindo um registro do sinistro como documento histórico da prática jornalística.

