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Código de barras e inteligência artificial: o novo “cérebro” do varejo que está chegando rápido

Em 03/04/2026 às 10:10h

por Melissa Louçan

Código de barras e inteligência artificial: o novo “cérebro” do varejo que está chegando rápido | Conteúdo Patrocinado | Jornal Minuano | O jornal que Bagé gosta de ler
Foto: Divulgação

Por que o produto passa no caixa, mas entra com preço errado? Por que o estoque “jura” que tem e, mesmo assim, a prateleira fica vazia? E quando o cliente devolve uma compra do e-commerce, como garantir que voltou o item certo, do lote certo?

O código de barras sempre foi o “RG” do produto. A diferença, agora, é o uso de inteligência artificial (IA) para transformar cada leitura em sinal de gestão. Em vez de servir apenas para registrar uma venda, o código vira um ponto de dados que ajuda a prever faltas, reduzir erros e acelerar decisões. No varejo, onde o tempo é curto e o volume é alto, isso muda o jogo.

A lógica é simples: sem identificação confiável, não existe automação confiável. E a IA só funciona bem quando a operação alimenta sistemas com dados consistentes.

A leitura está ficando mais rica e isso dá “combustível” para a IA

Nos bastidores do varejo, cresce a preparação para o caixa ler não apenas códigos lineares (1D), mas também códigos 2D, como QR Code e DataMatrix. A ideia é conviver com os dois formatos por um período, sem ruptura. Isso não é uma troca imediata, e sim um processo.

O motivo é direto: códigos 2D conseguem carregar mais contexto, e contexto é o que permite análises melhores. Quando o dado vem junto do produto de forma mais estruturada, a IA consegue enxergar padrões de consumo, sazonalidade, perdas e falhas operacionais com mais nitidez.

Na prática, o que muda não é só o rótulo. Mudam scanner, software de PDV e regras de leitura para evitar duplicidade e travamentos em atendimento.

Estoque com IA: de “contar depois” para prever antes

A aplicação mais comum da IA nesse cenário é o estoque. Cada leitura vira um evento. E um conjunto de eventos vira tendência. A IA começa a responder perguntas que, no varejo, sempre foram feitas “no feeling”: o que vai faltar, onde a reposição está lenta, qual item some mais do que vende, qual produto tem ruptura repetida.

Se a loja escaneia no recebimento, na reposição e na venda, ela cria um rastro confiável. A IA usa esse rastro para detectar anomalias: queda fora do padrão, salto de venda em horários específicos, ruptura recorrente por falha de reposição e até inconsistência entre depósito e área de venda.

O resultado esperado é previsibilidade. Menos compra no susto. Menos prateleira vazia. Menos perda por excesso e vencimento.

Prateleira “vista” por câmera: quando a imagem encontra a identificação

Outro avanço é o uso de câmeras com IA para enxergar a prateleira e comparar com o que o sistema acredita que está ali. A tecnologia consegue identificar espaços vazios, padrões de reposição e até itens deslocados de lugar, reduzindo o tempo até a correção.

O código de barras continua sendo a referência do produto. A visão computacional entra como um “alerta automático” para chamar a equipe antes de a falha virar reclamação. Isso ajuda a reduzir o clássico problema do varejo: descobrir a ruptura tarde demais.

Esse tipo de solução também aparece em auditoria de planograma, quando a loja precisa manter itens em posições definidas por estratégia comercial.

Preço e promoção: a IA só ajuda se o cadastro estiver organizado

Precificação é um ponto sensível. Um erro de promoção vira fila e desgaste em minutos. Com identificação consistente e cadastro bem cuidado, a IA pode identificar comportamento estranho de venda e sugerir investigação: etiqueta errada, cadastro desatualizado, regra aplicada fora do esperado.

Também pode sugerir combinações de oferta com base em dados reais: itens que saem juntos, produtos que precisam girar rápido e oportunidades de reduzir perda por validade. Mas aqui tem uma regra simples: se o cadastro está bagunçado, a IA aprende errado e amplifica o problema.

Detecção de comportamento fora do normal: ajuda a encontrar falhas antes de virar crise no caixa.

Sugestão de combos com base em compra real: reduz achismo em promoção.

Atenção a validade e giro: prioriza ação onde a margem está em risco.

No dia a dia, isso significa menos improviso e mais controle.

Devolução e fraude: leitura vira prova, IA vira filtro

No e-commerce, devolução virou rotina. Nem sempre é fraude, mas sempre custa. E uma parte das fraudes é “simples”: devolver item parecido, trocar versão, devolver usado ou enviar produto diferente do pedido.

Com leitura no picking, packing e retorno, a empresa ganha rastreabilidade. A IA entra para apontar padrões suspeitos: cliente com devolução acima do normal, produto com taxa de retorno fora do esperado, divergência recorrente em determinada rota ou operador.

O papel da IA aqui é priorizar o que merece atenção, sem travar toda a operação. Isso ajuda a reduzir prejuízo silencioso e melhora o tempo de resposta para devoluções legítimas.

Embalagem conectada: escanear e receber resposta do jeito certo

A embalagem também muda de função. Com códigos 2D, o scan pode abrir caminho para informação oficial do produto: instrução, alergênicos, composição, garantia, suporte e descarte. A IA entra para tornar isso mais útil e rápido.

Em vez de uma página genérica, o consumidor pode receber resposta contextual: linguagem mais simples, perguntas frequentes, orientações de uso e suporte automatizado. Isso reduz o volume de dúvidas repetidas e melhora a experiência.

Resposta rápida no celular: o cliente resolve dúvida no momento da compra.

Conteúdo atualizado sem reimprimir: a informação evolui sem trocar embalagem.

Atendimento mais leve: a IA segura questões simples e libera equipe para casos complexos.

O alerta é claro: se o conteúdo é lento, confuso ou vazio, a confiança cai e o scan perde valor.

O ponto que virou urgente: qualidade de impressão e leitura “quebra” a IA

A IA não adivinha. Ela depende de dados limpos. Se o leitor falha, o dado fica incompleto. Se o dado fica incompleto, a análise vira palpite. Por isso, qualidade de impressão e legibilidade passaram a ser assunto de operação.

Verniz que reflete demais, contraste fraco, etiqueta mal posicionada, embalagem curva e tamanho inadequado do código: tudo isso pode derrubar leitura no caixa e no estoque. E quando a leitura cai, a IA perde o rastro.

Esse é o detalhe que separa um projeto bonito de uma rotina que aguenta o dia de pico. Primeiro a leitura precisa ser confiável. Depois a automação entra com força.

Código de barras para nota fiscal: QR Code na NFC-e e o impacto na rotina

Na venda ao consumidor final, a NFC-e já colocou QR Code no cotidiano do varejo. O comprovante com QR permite consulta e reforça transparência. O ponto de atenção é que as regras técnicas desse QR evoluem, e isso exige sistemas emissores atualizados.

Na prática, qualquer mudança técnica que não seja acompanhada pode virar dor no caixa: emissão falha, retrabalho, fila e perda de tempo em horário de movimento. E aqui a IA pode ajudar de forma simples: identificar inconsistências antes da emissão, alertar para padrões de falha e facilitar conciliação entre venda e documento.

O recado é direto: nota fiscal e PDV caminham juntos. Quando um desorganiza, o outro sofre na ponta.

O que esperar daqui para frente

Código de barras e IA estão virando uma dupla de gestão. Um identifica. A outra interpreta. Um diz “o que é”. A outra responde “o que isso significa” e “o que fazer agora”.

A urgência vem da complexidade do varejo atual: loja física, e-commerce, entrega, retirada, devolução e promoção em tempo real. Se a empresa não automatiza, ela apaga incêndio todo dia.

O caminho mais seguro continua sendo o mais simples: garantir leitura estável, limpar cadastro dos itens de maior giro e padronizar conferência. A IA entra como consequência natural de uma operação bem registrada. E quando entra do jeito certo, ela deixa de ser promessa e vira resultado.

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