Opinião
A quem serve o jornalismo que não se defende?
por Érica Alvarenga
Por Érica Alvarenga, presidente do Diretório Acadêmico do Curso de Jornalismo da Urcamp
Existem datas que convidam à celebração, outras exigem posicionamento. Hoje, 7 de abril, dia do jornalista, pede mais do que homenagens, pede consciência, mobilização e, sobretudo, defesa.
Defender o jornalismo hoje é reconhecer que a profissão atravessa um dos seus momentos mais delicados, o que se dá, principalmente, pelas condições em que vem sendo exercida. A precarização das relações de trabalho, a desvalorização profissional e as tentativas recorrentes de flexibilizar exigências da área colocam em risco não apenas os jornalistas, mas o próprio direito à informação de qualidade.
Ao longo da história, o jornalismo se consolidou como um dos pilares da democracia. É por meio dele que a sociedade se informa, questiona, fiscaliza e participa. Enfraquecer o jornalismo, é, inevitavelmente, fragilizar esses processos. E isso não acontece apenas em grandes decisões políticas, está presente também no cotidiano, nas redações enxutas, nos profissionais sobrecarregados, na informação produzida sob diversos tipos de pressão e, muitas vezes, sem as condições ideais.
Em meio a esse cenário, os convido a uma reflexão necessária: como temos consumido informação? Em um mundo cada vez mais acelerado, onde conteúdos circulam com facilidade e ganham visibilidade e poucos minutos, torna-se essencial questionar quais critérios tem orientado aquilo que lemos, compartilhamos e, sobretudo, acreditamos. Nem sempre o que informa é, de fato, jornalismo, e reconhecer essa diferença talvez seja um dos desafios mais urgentes atualmente.
Como consequência disso, pautas como a valorização do diploma e o enfrentamento de legislações que impactam diretamente o exercício da profissão deixam de ser reivindicações isoladas e passam a ser elementos centrais na defesa da qualidade de informação.
Existe, ainda, um outro ponto que não pode ser ignorado: o futuro da profissão já está em formação. Nas salas de aula, estudantes se preparam para ingressar em um mercado que exige cada vez mais, mas que oferece cada vez menos. É nesse encontro entre expectativa e realidade que se desenha a urgência do debate.
Ser jornalista nunca foi e jamais será apenas sobre exercer uma função técnica. É assumir uma responsabilidade pública, é lidar com o compromisso de informar com ética, rigor e sensibilidade diariamente. E isso exige preparo, reconhecimento e condições dignas de trabalho.
Neste dia 7 de abril, mais do que celebrar trajetórias, é necessário reafirmar princípios. O jornalismo não pode estar sujeito a lógica da substituição fácil e da desvalorização constante. Ele é, antes de tudo, um instrumento essencial para a construção de uma sociedade com voz, mais consciente, critica e democrática.
Defendê-lo, portanto, é uma responsabilidade coletiva.

