Segurança
Operação Três Corpos é deflagrada em Bagé e outras cidades da região
por Jaqueline Muza
A Receita Federal, em conjunto com a Polícia Federal, deflagrou nesta terça-feira, 7, a Operação Três Corpos, com o objetivo de apurar crimes relacionados à importação irregular de equipamentos para academias de ginástica. A ação ocorre simultaneamente nos municípios de Bagé, Uruguaiana e Quaraí, na região da Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul.
As investigações apontam para a prática de delitos como descaminho, falsidade ideológica, evasão de divisas e lavagem de dinheiro. De acordo com a Receita Federal, uma rede de academias inaugurada em 2024 nessas cidades teria sido equipada com aparelhos de musculação de alto padrão, de origem estrangeira, supostamente introduzidos no país sem o devido pagamento de tributos.
Durante a apuração, foram identificados cerca de 300 equipamentos de musculação, além de centenas de acessórios com indícios de procedência internacional, porém sem documentação fiscal regular. O valor estimado das mercadorias chega a aproximadamente R$ 2 milhões, com uma tributação suprimida na ordem de R$ 800 mil.
Os itens considerados irregulares foram apreendidos e permanecem sob custódia da Receita Federal. Após a conclusão dos procedimentos de fiscalização aduaneira, os bens poderão ser declarados perdidos em favor da União.
A operação cumpre quatro mandados de busca e apreensão e um mandado de busca pessoal, expedidos pela 1ª Vara Federal de Rio Grande. Ao todo, participam da ação 21 servidores da Receita Federal e 22 policiais federais, que atuam de forma integrada nas diligências e fiscalizações administrativas.
Crescimento do setor
Dados da Receita Federal indicam que o mercado de importação de equipamentos de ginástica apresentou forte crescimento nos últimos anos. Em 2021, foram importados cerca de 31 mil itens, totalizando aproximadamente R$ 403 milhões. Já em 2025, esse número saltou para 140 mil itens, movimentando cerca de R$ 1,6 bilhão — um aumento de 400% em apenas quatro anos.
Compromisso com a legalidade
Em nota, a Receita Federal destacou que a operação reforça o compromisso institucional no combate à concorrência desleal e aos ilícitos fiscais e aduaneiros. Segundo o órgão, além de causar prejuízos aos cofres públicos pela sonegação de tributos, a importação irregular impacta negativamente o comércio formal de equipamentos e prejudica academias que atuam dentro da legalidade.

