Cidade
Estado decreta emergência em saúde e Bagé reforça vacinação
por Jaqueline Muza
A Prefeitura de Bagé intensificou as ações de enfrentamento às doenças respiratórias, ampliando o acesso à vacinação e antecipando a abertura do Ambulatório de Inverno. As medidas ocorrem em meio ao aumento de atendimentos e à maior circulação de vírus como a influenza na região.
De acordo com a coordenadora regional de Saúde, Claudia Souza, o cenário segue sendo monitorado de forma contínua. “Seguimos as orientações do Estado, com a Vigilância Epidemiológica acompanhando caso a caso dos pacientes internados e alimentando os dados diariamente. Os hospitais estão coletando material e enviando ao Lacen para análise, o que nos permite observar quais vírus estão circulando”, explicou.
Apesar do controle da situação na região, a coordenadora alerta para o crescimento da procura por atendimentos e reforça a importância da vacinação. “Fazemos um apelo para que a população procure as unidades básicas de saúde de referência para se vacinar”, destacou.
Atualmente, o município enfrenta baixa disponibilidade de doses e aguarda o envio de novos lotes por parte do Estado. A falta de vacinas, segundo a Secretaria de Saúde, não é uma realidade apenas local, mas atinge diversas cidades gaúchas, sem previsão de normalização no abastecimento.
Vacinação e cobertura
Bagé possui 33.706 pessoas nos grupos prioritários para a vacinação contra a gripe. Até o momento, 10.921 foram imunizadas, o que representa uma cobertura vacinal de 32,40%. A meta considera principalmente crianças, idosos e gestantes.
A campanha ocorre entre 28 de março e 30 de maio e contempla crianças de 6 meses a menores de 6 anos, gestantes e idosos a partir de 60 anos. Crianças que já receberam ao menos uma dose em anos anteriores devem receber apenas uma aplicação em 2026.
Segundo a coordenadora de imunização, Cláudia Bastianello, a média recente é de cerca de 15 casos positivos por dia, o que reforça a necessidade de ampliar a cobertura vacinal.
No momento, a vacinação está concentrada na Unidade de Saúde Camilo Gomes, que passou a operar com horário estendido desde o dia 22 de abril, funcionando das 7h30 às 20h, sem fechar ao meio-dia. No local, além da vacina contra a gripe para os grupos prioritários, também é possível atualizar a carteira de vacinação.
O secretário de Saúde, Gilson Machado, afirma que a medida busca facilitar o acesso da população. “A ampliação do horário é uma estratégia para aumentar a cobertura vacinal e garantir mais proteção para todos”, disse.
Ambulatório de Inverno é antecipado
Outra ação adotada pelo município foi a antecipação, em 45 dias, da abertura do Ambulatório de Inverno. O serviço começou a funcionar no dia 22 de abril, no PAM I, localizado na Rua Melanie Granier, com atendimento das 17h às 22h durante a semana, por ordem de chegada. Nos finais de semana, os atendimentos ocorrem na UPA.
O espaço é destinado a pacientes com sintomas gripais e conta com equipe completa, incluindo médico, enfermeiro, técnico de enfermagem e apoio diagnóstico.
Segundo o secretário Gilson Machado, a iniciativa busca organizar o fluxo de atendimentos e reduzir a transmissão de vírus. “Durante a semana, quem apresentar sintomas gripais deve procurar o Ambulatório de Inverno. Aos finais de semana, o atendimento é realizado na UPA”, orientou.
Estado em emergência
O reforço nas ações municipais ocorre em um contexto estadual de alerta. O governo do Rio Grande do Sul decretou estado de emergência em saúde pública devido ao aumento expressivo dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG).
Entre março e abril, o Estado registrou crescimento de 533,3% nas hospitalizações por influenza, além de aumento de 102,7% nos casos de SRAG e de 376,9% nas internações por rinovírus. Também houve elevação na proporção de atendimentos por síndrome gripal nas unidades de saúde.
O decreto tem validade de 120 dias e visa evitar a sobrecarga do Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente na rede pediátrica, diante da possibilidade de agravamento do cenário epidemiológico.
Diante desse contexto, as autoridades de saúde reforçam a importância da vacinação e da procura pelos serviços adequados ao surgimento de sintomas, como forma de conter a disseminação dos vírus respiratórios e reduzir a pressão sobre o sistema de saúde.

