Social
Exposição Vestígios do Sul na Casa de Cultura Pedro Wayne
por Viviane Becker
O evento ocorre no dia 12 de maio, às 19h, na Casa de Cultura Pedro Wayne. De acordo com Mirela, o campo poético manifesta a criação e a produção de sentido numa perspectiva histórico-crítica e, sobretudo, sensível, imanente, contingente, transcendente e de sacralidade, que poderá ser observado na forma como sentem e se expressam três mulheres sulinas: Marly Ribeiro Meira, Maria Luisa Teixeira da Luz (Marilu) e Consuelo Ferreira, mestras em “inverter abismos”.
“A mostra trará as manifestações dessas artistas que possuem trajetórias de fazer arrepiar a nuca de emoção, seja por seus tempos de existência, realizações, parcerias, amizades, formações e sensibilidades, seja pelos frutos que desaguaram por aí. Escolinhas de Arte, a Faculdade de Belas Artes, o CENARTE, a Saúde Mental Coletiva e tantos outros projetos em que elas compartilharam saberes, sonhares, sensibilidades, formações e andarilhares pelo mundo da arte e da cultura. Os frutos que deixaram por aí não caberiam nessa página, mas uma parte pode ser vislumbrada na exposição — privilégio que Bagé terá a partir de sua abertura, nesta terça-feira”, descreve Mirela.
Marly Meira
A bajeense, arte-educadora, artista plástica e bisavó, Marly Meira pinta o que vê, mas principalmente o que não vê: os fantasmas, o insondável, o inominável, figuras e metáforas que encarnam e revelam o que perpassa suas criações cheias de luz, cor e matizes infindáveis. Seus pigmentos sugerem percepções ora prístinas, claras, líquidas e cheias de luz, ora sombrias, misteriosas e perscrutadoras de nossa sombra.
Consuelo Cuerda
Com uma trajetória semelhante, mas em expressão distinta, Consuelo nos leva a caminhos mais indagatórios, colocando em prontidão nossa capacidade de indignação político-social. Ao perguntar “Que país é esse?”, sua série de gravuras de figuras insólitas nos acorda e dialoga com nossa sombra, espraiando metáforas, contrastes, índices e simbolismos que remetem aos nossos fantasmas e medos, provocando nossos atavismos mais complexos.
Maria Luisa
Marilu opera metamorfoses como Marly, também líquidas, sutis, indiciais, veladas e redondas. Lunares e femininas, de onde brota a vida, sensualidade e leveza, mas que também induzem ao insondável mistério do círculo da vida. Útero, caverna, corpo, manancial: um campo de diversidade que pede compromisso com essa vida. Afinal, somos húmus, lama; viemos do barro e para o barro iremos. Mirela deixa o convite para essa oportunidade única de saborear o trabalho dessas três guerreiras, para descobrir outras formas de estar no mundo — mais ricas, menos opressoras e que atendam à diversidade que a vida humana requer.

