Saúde
Médica orienta como identificar sinais de agravamento da gripe
por Rochele Barbosa
Com a chegada dos meses mais frios e o aumento da circulação de vírus respiratórios, cresce também a preocupação com casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave, condição que pode evoluir a partir de quadros aparentemente simples, como resfriados e gripes. Em entrevista, a médica pneumologista Dra. Flávia Marzola explica as diferenças entre essas doenças, os principais sinais de alerta e as formas de prevenção.
De acordo com a especialista, é fundamental distinguir o resfriado comum da gripe. “O resfriado comum é causado por diversos vírus, como adenovírus e rinovírus, e costuma apresentar sintomas mais leves, como obstrução nasal, coriza, mal-estar leve e, às vezes, febrícula”, explica. Já a gripe, provocada pelo vírus influenza, tende a ser mais intensa. “Ela tem início súbito, com febre, dor de garganta ou tosse, além de sintomas como dor no corpo, dor de cabeça e mal-estar mais significativo”, detalha.
Embora ambas possam evoluir, é a gripe que, com maior frequência, leva a complicações. Segundo a médica, a SRAG representa justamente esse agravamento. “A complicação pode incluir falta de ar, queda da saturação de oxigênio, baixa da pressão, sonolência e até quadros graves de pneumonia que exigem ventilação mecânica”, afirma. Outros vírus, como o vírus sincicial respiratório, também podem provocar formas graves, especialmente em grupos vulneráveis.
Entre os principais sinais de alerta estão a piora progressiva dos sintomas e alterações no organismo. “A redução da saturação de oxigênio abaixo de 94%, sonolência, dificuldade para respirar, febre persistente que não melhora com tratamento, diminuição da urina e queda da pressão são indicativos de gravidade”, ressalta.
A pneumologista chama atenção para os grupos mais suscetíveis a desenvolver a SRAG. “Crianças pequenas, principalmente menores de dois anos, idosos acima de 65 anos e pessoas com doenças crônicas, como problemas cardíacos, pulmonares, renais, hepáticos ou câncer, precisam de cuidado redobrado”, destaca. Pacientes imunossuprimidos, pessoas acamadas e portadores de HIV também estão entre os mais vulneráveis.
O aumento de casos durante o inverno, segundo a médica, está diretamente relacionado ao comportamento das pessoas. “Com o frio, há mais aglomeração e menos ventilação dos ambientes, o que facilita a transmissão dos vírus”, explica.
Em relação à prevenção, a especialista reforça medidas simples e eficazes. “Lavar as mãos é uma das atitudes mais importantes para evitar a contaminação. Também é essencial evitar aglomerações, usar máscara quando estiver doente e não se automedicar”, orienta. Ela alerta ainda para o uso indiscriminado de xaropes. “Eles podem aumentar a secreção e piorar a inflamação nos brônquios”, diz.
A vacinação também é apontada como uma ferramenta fundamental. “A vacina não tem 100% de eficácia, mas reduz significativamente o risco de complicações graves”, afirma. Segundo a médica, os imunizantes são atualizados anualmente com base nos vírus mais circulantes.
Quanto ao tratamento, a abordagem varia conforme o diagnóstico. “Para o resfriado comum, o tratamento é de suporte, com hidratação, repouso e controle dos sintomas. Já para a gripe, existe o antiviral Tamiflu, que deve ser utilizado nas primeiras 48 a 72 horas para reduzir a multiplicação do vírus”, explica. Ela reforça que o medicamento não cura a doença, mas diminui sua intensidade e o risco de agravamento.
Por fim, a pneumologista alerta que, diante de sinais de piora, a busca por atendimento médico deve ser imediata. “A evolução para insuficiência respiratória pode exigir desde oxigênio até ventilação mecânica. Por isso, reconhecer os sinais precocemente é fundamental para evitar desfechos mais graves”, conclui.

