Segurança
Réu é condenado a 19 anos de prisão por homicídio em Bagé
por Rochele Barbosa
O júri popular da Comarca de Bagé condenou, na manhã desta terça-feira (26), Carlos Roberto Tavares, de 43 anos, a 19 anos de reclusão em regime fechado pela morte de Elisandro Rodrigues Martins. O julgamento ocorreu no salão do júri do Fórum e analisou o crime ocorrido no dia 14 de fevereiro de 2024, na Rua José Antônio Porto, no Bairro Castro Alves.
De acordo com a denúncia do Ministério Público, o acusado avistou a vítima nas proximidades de sua residência, local conhecido pelo comércio de drogas. Em seguida, por motivos que não foram esclarecidos durante a investigação policial, teria surpreendido Elisandro e efetuado disparos de arma de fogo. A vítima foi atingida no tórax e morreu em decorrência de hemorragia causada por instrumento pérfuro-contundente no pulmão esquerdo, conforme apontou o laudo pericial. Após o crime, o denunciado fugiu do local. A acusação sustentou ainda que o homicídio foi cometido mediante recurso que dificultou a defesa da vítima, que estava desarmada e foi atacada de surpresa.
A primeira testemunha a depor foi a mãe da vítima. Muito emocionada, ela relatou que o filho era usuário de drogas e enfrentava problemas de saúde mental, dependendo dela inclusive para se alimentar. Segundo afirmou, no dia do crime a família estava no Cassino quando recebeu uma ligação informando sobre a morte e apontando o réu como autor. A mulher também declarou que o acusado vendia drogas para seu filho e que, em duas oportunidades, pediu dinheiro a ela para quitar dívidas da vítima.
Na sequência, foi ouvido um trabalhador de depósito que estava na casa da sogra no momento do crime. Ele contou que ouviu o disparo e, logo depois, viu a vítima cambaleando e sangrando pela porta da residência. Em seguida, avistou o acusado passando pelo local com um objeto enrolado em um pano. O homem disse conhecer Elisandro desde a época da escola.
Dois policiais civis da 1ª Delegacia de Polícia também prestaram depoimento. Ambos relataram que, ao chegarem na cena do crime, encontraram resistência dos moradores em testemunhar, por medo do acusado, conhecido pelo apelido de “Tripa”. Os agentes informaram ainda que o réu foi preso cerca de um mês após o homicídio, em março de 2024, próximo à casa da irmã, no Bairro Passo das Pedras, após permanecer foragido.
A defesa apresentou apenas uma testemunha, uma vizinha da região. Ela afirmou ter ouvido o disparo e que, assustada, entrou em casa com o filho de três meses. Depois, viu o acusado caminhando pela rua, mas disse não ter percebido se ele carregava algo nas mãos.
Durante o interrogatório, Carlos Roberto Tavares negou ser o autor do crime. Ele declarou que era amigo da vítima e que ambos faziam uso de drogas juntos em algumas ocasiões. Segundo o réu, no momento dos fatos ele estava tomando banho quando ouviu o som de uma motocicleta e, logo após, o disparo. Disse ainda que saiu para trabalhar e, ao passar pela rua, viu Elisandro caído e ensanguentado. O acusado afirmou que não prestou socorro porque estava em liberdade condicional e temia ser envolvido no caso. Também alegou que, ao retornar mais tarde para casa, encontrou a residência revirada e com a porta quebrada, motivo pelo qual decidiu ir para a casa da irmã, negando que estivesse fugindo.

