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Cidade

Impasse na Santa Casa ameaça ampliar restrições a partir de julho

Em 23/06/2026 às 08:45h

por Melissa Louçan

Impasse na Santa Casa ameaça ampliar restrições a partir de julho | Cidade | Jornal Minuano | O jornal que Bagé gosta de ler
Simers levará ao Ministério Público informações sobre tratativas realizadas com direção da instituição / Foto: Melissa Lou&c

A falta de pagamento de médicos da Santa Casa de Caridade de Bagé continua repercutindo nos serviços prestados pelo hospital. Em assembleia realizada na quinta-feira, 18, os profissionais aprovaram novas restrições de atendimento para entrar em vigor a partir de 1º de julho. A medida é atribuída aos atrasos nos pagamentos, que, segundo o Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers), chegam a nove meses para parte da categoria. A direção da instituição, por sua vez, afirma que os atendimentos oncológicos seguem ocorrendo normalmente e que não há novas mudanças previstas neste momento.

A decisão foi tomada durante Assembleia Geral Extraordinária (AGE) coordenada pelo Simers. Entre as medidas aprovadas estão a manutenção da suspensão dos atendimentos eletivos ambulatoriais e cirúrgicos, já em vigor desde o dia 15 de junho, além da restrição das primeiras consultas ambulatoriais em áreas consideradas essenciais e da suspensão de exames e procedimentos diagnósticos eletivos que não se enquadrem como urgência ou emergência.

O sindicato também informou que, a partir de julho, haverá restrição das primeiras consultas oncológicas em todas as especialidades. De acordo com a entidade, os tratamentos já iniciados, os procedimentos previamente programados e os atendimentos de urgência serão mantidos.

A preocupação envolve um dos principais serviços da instituição. O Complexo Oncológico da Santa Casa é referência para pacientes da região e abriga uma Unidade de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon). Desde o segundo semestre de 2025, a área de abrangência do serviço foi ampliada, passando a atender também municípios vinculados à 3ª Coordenadoria Regional de Saúde, além das cidades da 7ª CRS.

Questionada sobre as medidas anunciadas pelo Simers, a Santa Casa informou que mantém as mesmas condições apresentadas durante a coletiva de imprensa realizada na semana passada, quando detalhou a situação financeira do hospital. Conforme a instituição, as restrições atualmente existentes permanecem válidas pelo menos até 1º de julho e vêm sendo aplicadas de forma setorizada, variando conforme o serviço e o tipo de atendimento, envolvendo, em alguns casos, pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) e convênios.

A direção também destacou que, neste momento, não há novas restrições em vigor além das já divulgadas anteriormente e que os médicos seguem as orientações definidas pela própria categoria. Segundo o hospital, eventuais mudanças dependerão de futuras deliberações em assembleias.

Em relação à oncologia, a Santa Casa afirma que os atendimentos seguem normalmente. Conforme o posicionamento encaminhado à reportagem, não está prevista a aplicação de restrições adicionais ao serviço, uma vez que os pacientes estão em tratamento contínuo e as agendas seguem obedecendo aos protocolos estabelecidos para consultas e aplicações de quimioterapia.

A discussão ocorre em meio à crise financeira enfrentada pela instituição. Durante coletiva realizada na última semana, a direção informou que o hospital opera com déficit mensal superior a R$ 1 milhão e defendeu a construção de uma solução regional para garantir a manutenção dos serviços prestados à população dos municípios atendidos.

Enquanto não há definição sobre a regularização dos pagamentos aos médicos, permanece o impasse entre o corpo clínico e a administração hospitalar. O Simers informou que continuará acompanhando as negociações e que levará ao Ministério Público informações sobre as tratativas realizadas com a direção da instituição.

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