Região
Projeto para produzir metanol a partir do carvão deve ser apresentado em setembro
por Redação JM
Um projeto voltado à produção de metanol a partir do carvão mineral de Candiota deve ser apresentado em setembro, após a conclusão de testes realizados em parceria com empresas brasileiras e chinesas. A informação foi divulgada pelo prefeito de Candiota, Luiz Carlos Folador, do MDB, durante entrevista em que também abordou iniciativas relacionadas à transição energética no município.
Segundo o prefeito, amostras de carvão da região foram submetidas a três testes laboratoriais conduzidos pela empresa chinesa CNCEC, com acompanhamento da Vantech e da Copelmi. O município investiu cerca de 50 mil dólares no envio do material e na realização das análises. Os resultados apontaram teores de cinzas de 57% e 54%, índices que, conforme Folador, podem ser reduzidos para cerca de 35% por meio de um processo de separação anterior à produção do metanol.
A expectativa é que, em setembro, sejam apresentados os resultados dos estudos e o projeto para implantação de uma unidade industrial em Candiota. A proposta prevê a utilização de uma área já terraplanada do Candiotão, onde funcionava um antigo empreendimento do setor carbonífero. Ainda de acordo com o prefeito, o município poderá disponibilizar o terreno para a instalação da estrutura.
Folador afirma que a iniciativa está inserida em um contexto de transição energética e agregação de valor ao carvão mineral. Segundo ele, a tecnologia proposta prevê a produção de metanol com compensação de emissões de carbono e já existe perspectiva de comercialização do produto por meio de acordo firmado pela empresa responsável com um grupo do setor de biodiesel.
Transição energética
Ao tratar da transição energética, o prefeito destaca que o município acompanha projetos voltados à redução das emissões de carbono na geração de energia. Entre as iniciativas citadas estão estudos para utilização conjunta de biomassa e carvão nas usinas termelétricas, projetos de produção de hidrogênio verde e pesquisas relacionadas à captura e aproveitamento de dióxido de carbono.
Folador defendeu que a transição ocorra de forma gradual, associada à manutenção das atividades econômicas ligadas ao setor carbonífero. Segundo ele, a cadeia produtiva do carvão movimenta cerca de sete mil empregos diretos e indiretos na região, envolvendo mineração, transporte, geração de energia, produção de cimento e prestação de serviços.
Para o prefeito, projetos como a produção de metanol, o uso de biomassa na geração de energia e o desenvolvimento de novas tecnologias de captura de carbono representam alternativas para manter a atividade econômica do município alinhada às metas de redução de emissões previstas para as próximas décadas.

