Cidade
Museu do Som da Campanha busca resgatar e catalogar obra musical de artistas da região
por Melissa Louçan
Uma terra que já criou expoentes da música nativista, como Leonardo e Pedro Silveira, além de nomes mais contemporâneos e do cenário pop, como Luis Vagner Guitarreiro, agora terá um espaço dedicado a salvaguardar sua herança musical. Idealizado e coordenado pelo músico e produtor cultural, Tiago Cesarino, o Museu do Som da Campanha busca resgatar e guardar o trabalho de músicos da região (não apenas Bagé, mas também Aceguá, Candiota, Caçapava, Dom Pedrito, Hulha Negra e Lavras do Sul).
Cesarino explica que a ideia da criação do museu surgiu durante a pandemia, mas que a preocupação em preservar a memória musical da região é algo que já tinha há bastante tempo. Idealizador do Canto Sem Fronteira, realizado no município desde 2003, ele conta que o projeto surgiu, inicialmente, como forma de resgatar os materiais relativos ao festival, tanto CD’s e DVD’s, que ficaram perdidos ao longo dos anos. Depois, resolveu abarcar todos os festivais de música ocorridos no município, como Galponeira, Sentinela da Canção, Barreiro, Manancial e outros.
Novamente, a ideia foi expandida, quando o músico resolveu, também, abranger outros festivais nativistas realizados nas cidades vizinhas da região da Campanha, como Canto Moleque, em Candiota, e o Ponche Verde, em Dom Pedrito.
O projeto em desenvolvimento por Cesarino ganhou contornos ainda maiores quando decidiu expandi-lo de forma a resgatar a memória musical da região, não apenas de festivais tradicionalistas, mas de todos os músicos da Rainha da Fronteira e região, de diferentes estilos e épocas.“Muita gente faleceu e não se tem mais fácil acesso a esse material. O projeto tomou uma proporção ainda maior, com o objetivo de fazer um resgate do material fonográfico de toda a história e memória musical de Bagé”, explica.
O acervo já começou a ser montado, com digitalização e catalogação de todo o material obtido. Para que a iniciativa tenha maior alcance, Cesarino conta com o auxílio da comunidade para realizar a doação do material para ser catalogado. Todo o material obtido estará disponível para acesso e pesquisas através do site do museu, que já está no ar. "Acho que o mais difícil será catalogar toda esse material de apresentações da memória musical mesmo, tipo programas de rádio, apresentações artística, apresentação na Semana de Bagé e Semana Crioula, coral Bem te vi. Todas essas apresentações que ficaram, de certa forma, na história de Bagé e que não têm registro nenhum. Então a gente busca, se tiver oportunidade, colocar esse material no museu", ressalta.
A ideia de Cesarino é expandir o projeto e tirá-lo apenas da esfera virtual. O produtor cultural planeja, em um segundo momento, um ambiente físico para o museu onde, além da disponibilização do material catalogado, também será utilizado como espaço cultural, com aulas e outras ações voltadas para a musicalização.
Mas o projeto não é voltado apenas para músicos antigos. A música atual também deve ganhar espaço no museu, com registro e catalogação do trabalho. “Queremos fazer uma conversa do que era a música no passado e a música que está sendo feita agora”, destaca.
Quem quiser colaborar com o projeto, através de discos, fitas, CDs e DVDs, pode entrar em contato através do WhatsApp (53) 99784013 ou pelas redes sociais do museu - no Instagram como @museudosomdacampanha e no Facebook. O site do museu já está no ar através do site museudosomdacampanha.com.br, mas o acervo ainda não foi disponibilizado por estar em fase de busca e catalogação.

