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Cientista bajeense faz sucesso nas redes com canal de divulgação científica

Em 28/09/2021 às 14:15h
Melissa Louçan

por Melissa Louçan

Cientista bajeense faz sucesso nas redes com canal de divulgação científica | Cidade | Jornal Minuano | O jornal que Bagé gosta de ler
Gabriela é um dos principais nomes do segmento na internet | Foto: Divulgação

A caçadora de mitos proclamados por pseudocientistas tem nome, sobrenome e é bajeense. Gabriela Padilha Bailas é, hoje, um dos destaques da divulgação científica nas redes sociais, onde usa o alcance das plataformas para apontar os riscos da má utilização do conhecimento.

Nascida em Bagé, morou na cidade até os 6 anos de idade. Mas ainda mantém estreitos laços com o município, onde mora toda família. “Mesmo depois de ter saído de Bagé, eu continuei visitando com frequência e passando todas as férias na casa da minha vó”, recorda. 

O pai de Gabriela, Rui Bailas, conhecido como Montanha, inclusive, formou-se em Direito na Urcamp e jogou basquete no time da universidade, então conhecida como Faculdades Unidas de Bagé - FUnBa. Já o avô, Padilha, era proprietário da Imobiliária Sol e, mais tarde, Girassol.

A criança curiosa cresceu e decidiu desbravar os grandes mistérios do mundo através da ciência. Gabriela ingressou na faculdade em 2009, na FURG e em 2010 mudou-se para Portugal por dois anos, com uma bolsa da CAPES, onde cursou dois anos de Física na Universidade de Coimbra. 

Retornou ao Brasil para fazer mestrado em Física na UFPel , onde permaneceu por dois anos. De 2015 a 2018, morou na França, em Clermont-Ferrand, onde realizou o doutorado na Universidade Blaise Pascal. 

No mesmo ano em que obteve o grau de Doutora, mudou-se para o Japão para realizar pós doutorado na área de física de partículas no High Energy Accelerator Research Organization (KEK), centro de pesquisa em Física de Altas Energias, em Tsukuba. 

No início do ano passado, conheceu o marido, que é japonês, e decidiu continuar no país. Buscou, então, uma nova colocação, que atualmente ocupa, na área de computação na Universidade de Tsukuba.

“As redes sociais acho que vieram para amplificar sim a voz dos cientistas, mas elas também amplificam a voz dos charlatões”

Em 2016, enquanto estudava para o mestrado, decidiu iniciar um canal no Youtube, o Física e Afins, para contar um pouco da vida na França. Ao compartilhar sua trajetória, observou que a população geral tem pouco conhecimento sobre a Física, seus estudos e aplicabilidades no dia a dia - ao mesmo tempo, constatou que há, hoje, pessoas que aproveitam esse desconhecimento para enganar o público através do uso de conhecimentos científicos de forma descontextualizada. 

Gabriela aponta a importância do público leigo se envolver mais com ciência, para que entenda a importância dela e aprenda a reconhecer as “ciladas” que a distorção de informações traz. “É importante estar sempre atento ao que é dito pela internet para poder combater as mentiras que encontramos por aí. Acho que as redes sociais estão me ajudando a chegar em muitos lugares e tornar o conhecimento de Física e de ciência mais popular. Então comecei a alertar as pessoas sobre as famosas fake news. Eu recebo muitos relatos positivos de pessoas que afirmam que meu trabalho tirou elas de serem roubadas e evitou que elas gastassem dinheiro em terapias falsas”, destaca.

O jeito leve e espontâneo de Gabriela explicar até mesmo assuntos considerados mais complexos, agradou o público e o trabalho da cientista começou a crescer. “Hoje em dia meu YouTube 'Física e Afins' conta com quase 250 mil inscritos e mais de 11 milhões de visualizações. Tenho um dos maiores canais femininos de uma cientista no YouTube”, conta. 

Além disso, no Instagram @bibibailas, a cientista conta com quase 90 mil seguidores, onde divide um pouco do dia a dia no Japão, fala sobre ciência e busca conscientizar o público sobre os riscos da pseudociência.

Ciência também é coisa de mulher

E para além de tudo isso, o Física e Afins traz uma mulher, cientista, falando sobre coisas que, até pouco tempo, eram consideradas “assuntos de homem” ou “trabalho em território masculino”. Para Gabriela, além de sua própria trajetória enquanto cientista, o canal no Youtube reforça a presença feminina na ciência. “Acho que faz com que alguns estereótipos sejam quebrados e mostre às garotas jovens que existem mulheres que são cientistas. Meu recado é que as meninas saibam que elas podem seguir uma carreira na área científica ou em qualquer área que elas desejarem.

Devemos perseguir nossos sonhos sem medo e sem ficar prestando atenção nas críticas”, destaca.

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