Cidade
Elaine Vieira celebra 106 anos de vida
por Alana Portella Gonçalves
Quando ela nasceu, o rádio ainda não existia no Brasil e a televisão não havia sido criada. A Segunda Guerra Mundial era apenas um rumor e a gripe espanhola começaria a se instaurar. Elaine Vieira dos Santos comemorou 106 anos em 23 de outubro e conversou sobre a longevidade, relembrando o passado ao conversar com o Jornal Minuano.
Nascida no início do século XX, em São Gabriel, Dona Elaine veio para Bagé com 24 anos, após casar com o bajeense Henrique dos Santos, já falecido. A senhora lembra que veio de trem para a cidade, e alguns convidados os acompanharam até aqui após o casamento, tendo outra festa de comemoração.
Em sua juventude, gostava muito de estudar e de ir à missa aos domingos com suas colegas, sem deixar de acompanhar, claro, os bailes. A matriarca, que acompanhou a introdução do rádio no Brasil, gostava muito das radionovelas, e relembra algumas de suas favoritas, como “Enquanto o Sono Não Chega”.
Logo após seu casamento, Elaine abriu um ateliê de costuras, em conjunto com a cunhada, e confeccionou vestidos de gala para muitas jovens da sociedade na época, como as famílias Tavares, Moglia e Espírito Santo.
Elaine e Henrique foram muito felizes, relembra. Eles tiveram duas filhas, Ana Maria Vieira dos Santos e Maria de Lourdes dos Santos de Quadros, que infelizmente deixou a família em setembro. Ao todo, são três netas, três bisnetas e um bisneto. “Agora, minha família é pequena, mas eu vivo muito feliz”, destaca Elaine.
Segundo Ana, filha de Dona Elaine, a vaidade nunca foi deixada de lado, pois ama perfumes e sempre está “toda enfeitadinha”, conforme Ana. Durante o dia ela gosta de ler jornais (que precisam ser físicos, de papel) e assiste o noticiário na TV para acompanhar o Grêmio, acompanhando todas as partidas, independente do horário. À tarde, joga cartas como canastra e faz crochê muito bem.
Dona Elaine caminha com andador por todos os espaços da casa, além de amar passear de carro, normalmente acompanhada pela neta, e não perde bailes de debutantes e adora exposições. Sempre com o cérebro ativo, permanece lúcida, apenas com a audição levemente afetada. “Está um pouco surdinha, temos que falar devagar”, cita Ana.
Devido ao falecimento de sua filha Maria de Lourdes, em 14 de setembro, lágrimas caem de seus olhos. Mas, realiza orações e diz que não está triste, apenas com saudades, porque sabe que ela está com Deus. “A mãe é um presente de Deus nas nossas vidas, e é um ensinamento constante!”, celebra a filha.

