Cidade
Há 90 anos, a devoção a São João era simbolizada por capela e obelisco
por Marcelo Pimenta e Silva
Neste sábado, dia 24, os fiéis da Igreja Católica e devotos de São João Batista celebram a data alusiva ao Santo. Em Bagé, uma diminuta rua chama a atenção em virtude de uma homenagem específica. É no bairro Getúlio Vargas, na rua São João Batista, que está uma pequena capela que comemora 90 anos nesta data. Além do templo erguido na via, um monumento também chama a atenção há décadas para quem passa pelo local: um obelisco erguido em referência ao Santo, mas também a quem financiou a construção da capela.
Trata-se de João José de Oliveira, nome em que foi registrado pelo comerciante libanês, traduzindo-o a partir de sua origem familiar e que, na Rainha da Fronteira, demonstrou uma profunda devoção ao santo.
João José de Oliveira é, até hoje, comentado no bairro, bem como na cidade, como o popular comerciante conhecido também como "João Turco". Consta, em pesquisas feitas em jornais no Arquivo Público de Bagé, que o comerciante chegou ao Brasil no começo do século passado, aos 20 anos, em 1913. Ele era imigrante de Sebhel, no Líbano, e assim como outros imigrantes escolheu a cidade como lar.
Com um comércio instalado no extinto Mercado Público, "João Turco" se destacou na comunidade local. Ele também se distinguia por ações sociais para pessoas em vulnerabilidade social. Eventos que mobilizavam a comunidade do então bairro "Povo Novo" eram suas "quermesses" que divertiam os moradores. Esses eventos eram realizados ao redor da capela São João Batista. A capela, vinculada à Paróquia São Pedro, ainda reúne fiéis com celebrações religiosas todos os sábados, às 15h.
João José de Oliveira morreu no ano de 1944. A capela e o obelisco permanecem nessas nove décadas como símbolos de devoção de um homem estrangeiro que escolheu Bagé como terra para fazer sua história. E sempre quem passa pela curiosa rua com o obelisco ao meio pode ter contato com esse capítulo da história bicentenária da Rainha da Fronteira.

