Cidade
Festival de Cinema da Fronteira reforça diversidade e intercâmbio cultural em Bagé
por Rochele Barbosa
O 17º Festival Internacional de Cinema da Fronteira consolida, mais uma vez, Bagé como ponto de encontro entre culturas, linguagens e narrativas do audiovisual latino-americano. Com uma programação intensa e marcada pela diversidade, a edição deste ano evidencia o protagonismo feminino na direção e amplia o debate sobre inclusão, produção regional e acesso à cultura.
Curadora e tutora desta edição, a cineasta gaúcha destaca que o festival possui características únicas, especialmente pela forma como se integra à cidade. “É um festival que envolve a comunidade. Não é algo que chega, acontece e vai embora. Aqui existe troca com as pessoas, com os artistas locais, com quem constrói o evento”, afirma.
Segundo ela, a experiência de curadoria foi marcada pelo trabalho coletivo na seleção de projetos para laboratórios e mostras, respeitando a identidade do evento. “Cada edição tem um pensamento por trás. A gente ajudou a construir uma edição muito especial, pensando no que é o Festival da Fronteira”, explica.
Ana Luiza também ressalta o ambiente de imersão proporcionado pelo festival. “É muito intenso. Todo mundo está junto, assistindo filmes, discutindo ideias. Isso cria uma conexão muito forte entre quem participa”, observa. Para a curadora, o evento sintetiza a própria essência cultural de Bagé, cidade que, historicamente, valoriza a arte e promove intercâmbios. “Tem o mundo vindo para Bagé, e cada pessoa também leva um pouco da cidade consigo”, completa.
A presença expressiva de diretoras mulheres na programação não é, segundo ela, uma concessão, mas reflexo da qualidade das produções. “Não é benevolência. São filmes bons feitos por mulheres. A gente nunca estranhou quando a maioria era de homens. Agora, isso precisa ser natural”, pontua.
Integrante do júri de longas-metragens, a jornalista e cineasta reforça o papel do festival como espaço de intercâmbio cultural e formação. “O festival vai além da premiação. Ele proporciona encontros, trocas e reflexões que agregam na trajetória de quem participa”, afirma.
Camila destaca a diversidade de obras exibidas, com produções de diferentes países e regiões. “Se não fosse o festival, talvez não tivéssemos acesso a filmes da Bolívia, de Portugal, do Uruguai ou de diferentes estados do Brasil. Essa curadoria amplia nosso olhar”, avalia.
A presença de mulheres, pessoas negras e artistas trans na direção dos filmes também é apontada como um avanço importante. “Essa diversidade reflete demandas que vêm sendo construídas. São novas narrativas, novos olhares que precisam desse espaço”, diz.
Outro ponto destacado pela jurada é a necessidade de investimento no setor audiovisual, especialmente fora dos grandes centros. “É fundamental que os fazedores de cultura tenham acesso a recursos e equipamentos para produzir nos seus territórios. O festival também promove esse debate”, observa.
Com sessões lotadas, debates e atividades formativas, o Festival de Cinema da Fronteira reafirma sua relevância no cenário cultural e educativo. Para Camila, o legado vai além dos dias de evento. “É importante que o público mantenha o hábito de ir ao cinema. Isso forma plateia e fortalece o festival para as próximas edições”, conclui.

