Cidade
Projeto inédito resgatará história de Bagé com projeções na fachada da Antiga Estação Férrea
por Melissa Louçan
A comunidade de Bagé terá a oportunidade de desvendar as histórias fascinantes relacionadas à Antiga Estação Férrea e à região por meio de um projeto inovador que promove um mergulho em quatro municípios gaúchos com projeções que colocam o patrimônio em evidência. “À Luz da Memória: Patrimônio em Evidência” já passou por Porto Alegre, no Memorial do Rio Grande do Sul, e Rio Grande, no Prédio da Alfândega, e em julho será a vez das intervenções acontecerem em Pelotas e Bagé. Com patrocínio da CEEE Grupo Equatorial Energia, via Lei Estadual de Incentivo à Cultura (LIC-RS), a iniciativa tem como objetivo valorizar o patrimônio do Estado, criando narrativas que se comuniquem de maneira lúdica e informativa com a herança cultural das quatro cidades.
Utilizando uma abordagem que combina tecnologia e linguagem audiovisual, edifícios emblemáticos são iluminados por duas noites consecutivas com projeções que retratam momentos e símbolos da memória local. As apresentações serão acompanhadas de intérpretes de LIBRAS e terão intervalos ao longo da noite. Cada projeção tem a duração de 10 minutos, sendo especialmente criada para aquela cidade, contando com a assinatura da Imersiva. As projeções, gratuitas, começarão sempre ao entardecer. Os prédios escolhidos para o projeto são tombados em nível estadual ou federal e facilmente acessíveis à população, permitindo que a atividade receba um grande público. Em Bagé, o público poderá conferir a ativação na fachada da Antiga Estação Férrea, nos dias 15 e 16 de julho, a partir das 18h.
Cada cidade e seu respectivo prédio trazem uma temática - comunicação, trabalho, cultura e transporte - e conta com um roteiro original produzido com base em pesquisas desenvolvidas pelos historiadores Darlan Marchi e Olívia Nery. “Acreditamos que essa união entre tecnologia e o patrimônio por meio da experiência virtual contribui à fruição da obra concreta, atraindo públicos que de outra forma não se interessariam pelo tema preservação. A intervenção efêmera instiga a percepção do bem de forma diferente, transmitindo informações de maneira poética e lúdica a um público diverso”, afirma Simone Neutzling, proponente e uma das produtoras executivas do projeto.
"O Grupo Equatorial Energia tem, em seu DNA, a conexão com a cultura local de suas áreas de concessão através da proximidade e do fomento econômico, com foco no desenvolvimento social. Com o patrocínio, a CEEE Grupo Equatorial valoriza a importância da conservação do patrimônio histórico e cultural das cidades que atendemos, colaborando, assim, para o fortalecimento de nossa memória e cultura”, resume Fabrizio Bopp Panichi, executivo de Comunicação Externa, Marketing e Sustentabilidade.
As projeções conduzirão o público por uma viagem aos trilhos do passado, resgatando a história da linha férrea que conectava Bagé a Rio Grande, uma das principais impulsionadoras para o desenvolvimento da região sul e da campanha na segunda metade do século XIX. Desde os primeiros habitantes indígenas até os conflitos coloniais, dos quilombos que ofereceram abrigo aos escravos fugitivos às revoluções e guerras que moldaram a região, cada parada revelará uma parte da história de Bagé e da natureza protetora da Rainha da Fronteira. A chegada da linha férrea, com cerca de 280 quilômetros de extensão e 15 estações ao longo do percurso, transformou profundamente a comunidade local.
“Em Bagé, À Luz da Memória fará uma viagem no tempo através dos trilhos do trem. Embarcaremos na antiga Estação Ferroviária, atual centro administrativo, para refletir sobre a história do município, suas memórias e identidades. O trem, símbolo de progresso e modernidade no final do século XIX, é um dos elementos centrais para refletirmos sobre as transformações experienciadas na região e como ele contribuiu para a construção da cidade que conhecemos hoje. Uma Bagé com múltiplas culturas, histórias e vozes que são conectadas pela paisagem do pampa”, afirma Olívia Nery, historiadora responsável pela pesquisa na cidade.
Envolvimento
Além da pesquisa histórica, ações de Educação Patrimonial são desenvolvidas nos municípios, como a realização de oficinas nos prédios relacionados ao projeto, com a produção de murais colaborativos e exposições. Em cada uma das quatro cidades contempladas pelas projeções são desenvolvidas atividades com a comunidade local. O objetivo principal é incentivar a apropriação cultural e cidadã, a partir da reflexão sobre a importância do patrimônio histórico e cultural no passado, presente e futuro das cidades integrantes.
Em Bagé, as atividades ocorrem nos dias 26 e 28 de junho e em 13 de julho, com jovens e adultos das escolas Dr. Antenor Gonçalves Pereira – Geteco Técnico e Escola Cívico Militar São Pedro. Essa programação inclui oficinas que trabalham o conceito de patrimônio vivido, a importância social e cultural para o presente e para o futuro da cidade e promovem discussões relacionadas à história de vida de cada um dos membros do grupo e das suas relações com a memória da cidade. Já no dia 13, a partir das 19h, a historiadora Olivia Nery ministra palestra buscando sensibilizar o olhar para o patrimônio.
Os produtos gerados pelas atividades de educação patrimonial serão analisados e selecionados pela equipe responsável pela área e servirão como material para a exposição “devolutiva” que ocorrerá no Prédio da Estação Férrea durante os dias de projeções.
Em caso de chuva, o evento será transferido. Para mais informações, acesse a página do projeto no Instagram, @aluzdamemoria.

