Cidade
Bagé em números através dos séculos
Índice mais positivo, onde é possível evidenciar o desenvolvimento da cidade, está na escolarização de habitantes na faixa de 6 a 14 anos, que alcançou 97,6% na última década
por Melissa Louçan
Ao longo de 212 anos, Bagé passou por uma transformação significativa, desde seu surgimento como um acampamento militar até a realidade de 2023. A cidade nasceu, cresceu e se desenvolveu, testemunhando e, às vezes, protagonizando a história do Rio Grande do Sul.
Para compreender essa evolução, podemos recorrer aos dados dos primeiros recenseamentos realizados desde ao longo do século XIX, de acordo com a publicação da Secretaria de Coordenação e Planejamento do Rio Grande do Sul, de 1986.
Em 1811, Bagé era um povoamento em formação a partir de um acampamento militar. Inicialmente, seu território se dividia entre as comarcas de Piratini, Caçapava e Alegrete. Somente em 1846, por meio da Lei nº 65, Bagé foi reconhecida como vila e sede do município. A cidade de Bagé, por sua vez, foi instituída em 1859 pela Lei nº 443.
O primeiro levantamento oficial da população de Bagé ocorreu em 1846, um ano após o fim da Revolução Farroupilha. Na época, foram registradas 3.504 pessoas, com predominância de indivíduos brancos (2.288), seguidos por pessoas negras libertas (8) e pessoas negras escravizadas (1.208). O número de indígenas não foi especificado. Bagé era composta por dois distritos: São Sebastião de Bagé e Santo Antônio de Lavras.
Dois anos após, em 1848, as listas eclesiásticas contabilizaram 8.719 habitantes em Bagé. O próximo dado disponível é de 1858, quando a população chegou a 12.342, dividida em cinco distritos. Já em 1872, o município possuía 1.662 casas e 15.037 habitantes.
Em 1920, um censo mais abrangente permitiu traçar um perfil mais detalhado da cidade e de seus habitantes. Naquele período, Bagé era dividida em oito distritos, com uma área total de 7.180 km² e densidade demográfica de 5,66 hab/km². A população registrada foi de 43,8 mil, sendo a maioria residente na zona rural (22,8 mil). A taxa de analfabetismo era alta, com cerca de 64% da população não alfabetizada.
Em relação à atividade econômica, a exploração do solo (incluindo a agropecuária) era a principal ocupação, representando aproximadamente 18%. A indústria e o comércio contribuíram com 6% e 2%, respectivamente.
Avançando para 1940, quando ocorreu o primeiro censo detalhado, que abordou informações mais pormenorizadas, se assemelhando mais ao atual modelo adotado. Isto porque o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foi criado em 1936 e com a contribuição do renomado demógrafo italiano, Giorgio Mortara, inaugurou-se a moderna fase censitária no Brasil.
Nesse período, Bagé estava dividida em cinco distritos, com uma área de 7.036 km² e densidade demográfica de 8,39 hab/km². A população total era de aproximadamente 59 mil habitantes, sendo que a maioria ainda vivia na zona rural (67%).
É interessante observar que houve um aumento significativo no número de pessoas alfabetizadas em comparação ao censo de 1920. Em 1940, pela primeira vez, a maioria da população (45%) sabia ler e escrever, enquanto a parcela de analfabetos era de cerca de 40%.
Nesta época, as áreas de atuação dos habitantes foram mais detalhadas - mas seguiram apontando a grande predominância das atividades no setor primário. O setor de agricultura/pecuária e silvicultura registrava 7.171 pessoas em atividade; logo em seguida se destaca a indústria de transformação, com 2.615 pessoas empregadas e, em terceiro, o comércio de mercadorias, com 2.033 vagas ocupadas.
Entre as atividades que não geravam renda estavam atividades domésticas e atividades escolares, com 21.316 pessoas, além de 4.359 pessoas inativas.
Já 83 anos mais tarde, os dados divulgados, até então, do último Censo Demográfico, Bagé registrou um leve aumento populacional. Segundo os dados do IBGE de 2022, a cidade registrou 117.938 habitantes e 45.299 domicílios particulares permanentes ocupados em Bagé.
A área territorial do município diminuiu, desde os censos da primeira metade do século XX. Com a emancipação de três municípios da área de Bagé - Aceguá, Candiota e Hulha Negra, a área territorial da Rainha da Fronteira ficou estabelecida em 4.090,360km². A densidade demográfica atual é de 28,83 hab/km².
Contudo, o índice mais positivo, onde é possível evidenciar o desenvolvimento da cidade, está na escolarização de habitantes na faixa de 6 a 14 anos, que alcançou 97,6% na última década.
Essa comparação histórica evidencia o crescimento e as transformações ocorridas em Bagé ao longo dos anos, marcando sua trajetória como parte integral da história do Rio Grande do Sul.

