Cidade
Samu completa 18 anos em Bagé e se consolida como um dos principais serviços públicos
Reportagem mostra como funciona a rotina dos profissionais locais, desde a parte administrativa até o deslocamento das ambulâncias ao chamado de socorro
por Samuel da Rosa
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) completou, em 2023, 20 anos. E, desde sua criação, tem sido fundamental para o atendimento rápido de urgências e emergências. Em Bagé, o espaço existe há 18 anos. Reportagem mostra como funciona a rotina dos profissionais locais, desde a parte administrativa até o deslocamento das ambulâncias ao chamado de socorro.
Em entrevista ao JM, a enfermeira responsável técnica (RT), Anelise Severo, explicou um pouco sobre o serviço realizado diariamente. “Nós somos uma Central de Regulação de Urgências. Então, essa central recebe, atende todos os municípios aqui da região, que é Dom Pedrito, Lavras do Sul, Aceguá, Candiota e Bagé. A Hulha Negra tem uma equipe associada ao Samu e é regulada pelo município de Porto Alegre. A nossa central recebe, através do telefone gratuito 192, chamados de todos esses municípios. Bagé possui duas unidades de suporte básico e uma de suporte avançado”, informa.
Anelise destaca que as equipes trabalham incansavelmente todos os dias, se revezando entre os turnos. Ela conta como funciona a mesa reguladora, que é para onde as ligações para o Samu são encaminhadas. “Então, as três equipes trabalham 24 horas por dia, 365 dias por ano. Nós temos uma mesa reguladora com dois profissionais médicos: um médico regulador e um médico intervencionista, que é o que fica no serviço, que sai na ambulância avançada. Temos o telefonista que é o TARM (Técnico Auxiliar de Regulação Médica) e temos o rádio operador”, detalha.
Outro grande desafio para a chegada dos socorristas ao local solicitado é, sem dúvidas, o trânsito bajeense. O condutor socorrista, Jerônimo Paiva, conta sobre as principais dificuldades que enfrenta ao conduzir a ambulância e os cuidados necessários para a segurança de todos dentro e fora da ambulância. "Tem uns (carros) que tem mania de acelerar junto com a gente, vão correndo. Tem uns que olham e pensam: "Ah a preferência é minha tu que espere. Então, a gente tem a preferência e não tem, porque temos que ter cautela. Não é porque eu estou com a sirene ligada que eu vou lá cortar a preferência de alguém. Porque, de repente, a pessoa está com som alto no carro e não escutou. E aí eu não posso ir ali e simplesmente cortar”, destaca.
Entenda a dinâmica de atendimento
Durante a entrevista, a reportagem foi surpreendida por um chamado do Samu. Acompanhamos a equipe do técnico de Enfermagem, Michel Ribeiro, que estava se preparando para o deslocamento até o chamado. "A gente vai em um atendimento de um paciente portador de Parkinson com dificuldades peculiares à doença dele. Provavelmente, uma dispnéia ou algo assim. A gente fica sabendo só no local da ocorrência”, informa.
De acordo com Ribeiro, há alguns dias, sua equipe precisou realizar manobra de reanimação cardiorrespiratória (RCP) em um paciente e obteve sucesso. “Pegamos uma parada cardíaca em frente ao Quartel (3°BLog), dentro do carro. Nós retiramos o paciente de dentro do carro, fizemos massagem, tivemos o apoio da avançada (Ambulância com equipamento de UTI) com o médico. Nós fomos dali do local da ocorrência, da rua Vinte de Setembro até a Santa Casa de Caridade realizando massagem, mas ele estava em parada cardíaca, nós massageamos e trouxemos ele de volta”, relata.
O Samu atende cerca de 35 ocorrências diárias e o tempo de resposta é de oito a nove minutos, na zona urbana. Após chegar no local onde foi solicitado o atendimento, os socorristas tomam conhecimento da situação e fazem todos os protocolos exigidos e inclusive lançam as informações em um sistema próprio do Samu em um smartphone. Após, o paciente é encaminhado para a UPA ou para a Santa Casa, isso vai depender das orientações que o médico regulador passar, por telefone, ao técnico de Enfermagem. O médico Luiz Carlos Couto explica como funciona esse processo para enviar o paciente para o que eles chamam de 'portas de entradas', que são a UPA e o Pronto Socorro da Santa de Casa de Caridade. "Então, se um paciente não é grave eu mando para a UPA, quando é um paciente grave eu mando para o Pronto Socorro”, informa.
A coordenadora do Samu, Catiane Amaro, destaca que diversas palestras são realizadas nas escolas e reforça a importância delas no ambiente escolar. "E eu acho que levando isso para as escolas já são um ponto de partida. Além de passar para os pais, vão ser adultos que vão saber como funciona o serviço”, menciona.

