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Região

Desenvolve Pampa aponta caminhos para o crescimento sustentável da região da Campanha

Documento resultante de discussões aponta diretrizes para impulsionar a industrialização limpa, qualificar a infraestrutura regional, fortalecer cadeias produtivas e consolidar ecossistemas de inovação

Em 12/06/2025 às 08:00h

por Redação JM

Desenvolve Pampa aponta caminhos para o crescimento sustentável da região da Campanha | Região | Jornal Minuano | O jornal que Bagé gosta de ler
Foto: Yuri Cougo Dias

Durante dois dias de intensos debates, Bagé se consolidou como centro estratégico da construção de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento sustentável da metade sul do Rio Grande do Sul. O Fórum Desenvolve Pampa, realizado nos dias 9 e 10 de junho no Palacete Pedro Osório, reuniu autoridades políticas, lideranças acadêmicas, especialistas e representantes da sociedade civil para discutir o futuro econômico e social da Campanha e da Fronteira Oeste.

Promovido pela Prefeitura de Bagé, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (SDI), em parceria com a Urcamp, a Unipampa, a Aciba e o Comung, o evento teve como eixo temático o “Pacto RS 2025 – O crescimento sustentável é agora”. Ao final dos encontros, foi elaborada uma carta de intenções com propostas concretas que será encaminhada à Assembleia Legislativa, ao Governo do Estado e ao Governo Federal.

Educação como base para o desenvolvimento

O painel de encerramento, intitulado “Políticas Públicas para o Desenvolvimento Regional”, contou com a presença do prefeito de Bagé, Luiz Fernando Mainardi; do vice-prefeito e secretário da SDI, Beto Alagia; e dos reitores da Urcamp, professor Guilherme Cassão Marques Bragança, e da Unipampa, professor Edward Frederico Castro Pessano. O debate foi marcado por falas que apontaram o papel estratégico das universidades no crescimento da região.

Bragança destacou que o desenvolvimento da Urcamp está intrinsecamente ligado às necessidades da Campanha desde sua fundação, em 1953. “Cursos como Direito, Contabilidade e Administração foram criados para responder às demandas da comunidade. Mas isso não é apenas gerar educação. É gerar economia, emprego, renda própria para a cidade”, pontuou. Segundo ele, a universidade contribui diretamente para a permanência da juventude em Bagé, movimenta setores econômicos e fortalece o sentimento de pertencimento local. “Eu sou bairrista: quero que os filhos da minha terra fiquem aqui, estudando aqui, vivendo aqui.”

O reitor ainda defendeu a criação de cursos voltados às transformações sociais e tecnológicas. “Durante a pandemia, quando faltaram profissionais e houve escassez de investimentos em ciência, as instituições foram lembradas. Mas depois voltamos a ser esquecidos. O desenvolvimento não pode parar. Esse evento é uma semente — e precisa dar frutos.”

Já o reitor da Unipampa, Edward Pessano, destacou que o fortalecimento da região passa pela valorização da pesquisa, da formação profissional e da diversificação econômica. “A diversidade nos dá a garantia de sustentabilidade econômica e financeira. É preciso pensar soluções integradas para os desafios que enfrentamos.”

Construção coletiva

O prefeito Mainardi reforçou que o futuro da região depende de uma aliança sólida entre os setores público, privado e acadêmico. “Bagé tem potencial de crescimento, mas precisamos de um esforço conjunto com os municípios vizinhos, as universidades e a sociedade organizada. Saímos deste fórum com a missão de construir uma região que progrida social, cultural e economicamente.”

Na mesma linha, o vice-prefeito Alagia ressaltou a necessidade de transformar os debates em ações concretas, especialmente na geração de emprego e renda. “Estamos onde estamos porque fomos escolhidos por uma sociedade que acredita que podemos fazer algo por ela. Essa expectativa precisa se transformar em realidade.”

Além dos painéis com lideranças educacionais e políticas, o fórum também abrigou a Assembleia do Consórcio de Desenvolvimento do Pampa (Codepampa) e o painel “Indicadores da Região Sul”, com participação do prefeito de Quaraí e presidente do consórcio, Jefferson Pires, e do economista Carlos Paiva. Eles abordaram os principais entraves enfrentados pelos municípios da região, como a distância dos grandes centros, a dificuldade de reter mão de obra qualificada e a queda populacional.

Em contrapartida, destacaram o enorme potencial do bioma Pampa, com vocação para a pecuária, lavouras de arroz e soja, além do turismo associado às paisagens naturais e à cultura regional. “Temos um povo extremamente trabalhador e acolhedor. Sabemos quem podemos ser. Precisamos trabalhar em equipe para fazer as coisas acontecerem”, disse Pires.

Carta final propõe agenda de políticas públicas para reconversão econômica e proteção do bioma

A Carta final do Fórum Desenvolve Pampa, elaborada ao término do encontro, apresenta uma série de propostas de políticas públicas voltadas à reconversão econômica da Região da Campanha e da Fronteira Oeste, com base em princípios de sustentabilidade ambiental, valorização do bioma pampa e geração de emprego e renda. O documento é resultado de debates entre representantes do setor produtivo, universidades, poder público e sociedade civil, e propõe que o fórum se torne um espaço permanente de governança regional.

Entre as principais diretrizes, está a formulação de políticas voltadas à transição energética justa, com investimentos em fontes renováveis como solar, eólica, biomassa e pequenas centrais hidrelétricas. A carta também defende a criação de mecanismos legais e regulatórios para garantir o uso sustentável do carvão de Candiota, associado à industrialização limpa, por meio de tecnologias de captura de carbono, carboquímica e produção de fertilizantes, como propõem os projetos da VAMTEC Group.

No campo da infraestrutura e logística, destaca-se a proposta de implantação de uma Estação Aduaneira Interior (EADI) em Bagé, conhecida como “porto seco”. A medida visa reduzir os custos operacionais de exportação e importação, atraindo investimentos públicos e privados na ordem de R$ 100 a 250 milhões, com potencial para criar até 1.100 empregos diretos e indiretos e estimular o crescimento de setores como transporte, armazenagem, agroindústria e comércio internacional.

A carta também propõe políticas de estímulo à inovação tecnológica e social, com a criação de um 4º Distrito de Inovação em Bagé, que funcione como eixo articulador entre poder público, iniciativa privada, instituições de ensino e a comunidade. A proposta inclui incentivos à criação de startups, laboratórios de inovação, programas de formação de talentos desde a educação básica, e a consolidação do Ecossistema de Inovação de Bagé (Ecobah), com respaldo da Lei Municipal de Inovação.

Outra frente destacada no documento é a valorização das cadeias produtivas regionais, com políticas de fomento à agroindústria e à agregação de valor a produtos locais, como azeite, vinho, carne e lã. Um dos projetos apresentados durante o fórum prevê a instalação de uma esmagadora de grãos com capacidade para 2 mil toneladas/dia, em Bagé, com foco na produção de óleos vegetais e posterior ampliação para biocombustíveis — medida que poderá transformar a cidade em centro logístico estratégico da produção de soja da região.

O texto final também inclui recomendações para a formulação de políticas públicas voltadas à preservação do bioma pampa frente ao avanço da monocultura, com destaque para os danos causados pela deriva de herbicidas hormonais sobre a produção de frutíferas e a apicultura. O fórum reforça a necessidade de fiscalização rigorosa, compensações e incentivos à produção agroecológica.

As propostas consolidadas reforçam o entendimento de que o desenvolvimento da Metade Sul do Rio Grande do Sul deve combinar modernização produtiva, respeito ambiental e cooperação entre os entes federativos e a sociedade civil. O fórum também reiterou o papel das universidades da região, como a Urcamp e a Unipampa, e instituições como a Embrapa e a Emater, como pilares de conhecimento, inovação e articulação territorial.

Ao final, a carta propõe que o Fórum Desenvolve Pampa se transforme em uma instância permanente de articulação de políticas públicas regionais, com base em um modelo colaborativo de governança, reunindo municípios, instituições de ensino, conselhos regionais de desenvolvimento e o setor produtivo. O objetivo é garantir que as demandas locais avancem na forma de planos e programas concretos, com acompanhamento social e institucional. 

O documento foi assinado por entidades organizadoras e apoiadoras, como a Prefeitura de Bagé, Unipampa, Urcamp, ACIBA e Corede Campanha.

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