Cidade
Sarau Noturno celebra 17 anos com nova geração de participantes
Idealizado pela historiadora Clarisse Ismério, o evento transformou o Cemitério da Santa Casa em palco de cultura, pesquisa e turismo, unindo comunidade e universidade em torno da valorização da memória e da arte cemiterial
por Melissa Louçan
Criado em 2008, o Sarau Noturno completa neste mês 17 anos de história. O evento, realizado no Cemitério da Santa Casa de Caridade de Bagé, tornou-se uma importante iniciativa cultural da região, reunindo estudantes, professores e comunidade em torno da valorização da arte cemiterial.
A idealizadora do projeto, a historiadora Clarisse Ismério, destaca o impacto que a iniciativa teve ao longo desse período. “O Sarau mostrou um outro lado do cemitério e a valorização do patrimônio cemiterial, tanto que a partir disso as pessoas realmente começaram a ver o cemitério com outros olhos, o que era a nossa pretensão desde o início, e começaram a promover, inclusive, o turismo cemiterial na região”, afirma.
Segundo ela, o projeto ultrapassou fronteiras locais e hoje é reconhecido dentro e fora do Brasil. Destacou, ainda, que o Sarau sempre contou com a participação de universitários, com exceção de um ano, em que foi realizado com os alunos do Colégio Carlos Kluwe, que, inclusive, chegou a ser apresentado no Chile. Além disso, a iniciativa já foi abordada em diferentes veículos de comunicação do país e rendeu, inclusive, um livro publicado em 2016 pela editora portuguesa Chiado.
Entre os novos participantes, a expectativa é grande para a apresentação do dia 31 de outubro, data de início da nova temporada. Nicole Silva, estudante do segundo semestre de Jornalismo, participa pela primeira vez. “É muito bonito ver a beleza, a arte, a história em todo lugar. Esse projeto nasce disso e reinventa-se dentro disso”, afirma.
Já para William Souza de Souza, que participa pela segunda vez, o sarau abre novas perspectivas sobre a relação com o espaço. “O cemitério, por mais que as pessoas tenham uma visão diferente sobre ele, é uma memória viva. Toda a arquitetura representa um pouco da época em que os túmulos foram criados, as simbologias, ideias, até as pessoas que estão aqui estão na memória de um tempo que já se foi”, comenta.
Miguel de Souza, também estreante, resume a experiência como uma forma de transformar olhares. “Acredito que ele traz uma nova perspectiva não só de quem assiste para conhecer o âmbito cemiterial, mas também de quem atua, de quem tem esse contato pela primeira vez. É uma visão totalmente diferente de quem não conhece a beleza, a autenticidade e os detalhes que a arte cemiterial propõe”, afirma.
O reitor da Urcamp, Prof. Dr. Guilherme Cassão Marques Bragança, ressalta que o projeto é motivo de orgulho institucional: “É um marco histórico na nossa cultura, estando aí há 17 anos de atividade ininterrupta. Se renova todo ano, trazendo sempre como alicerce a história da nossa arte tumular”, afirmou. Ele destacou ainda que o Sarau Noturno resgata personagens que marcaram época e que hoje também são marcos históricos, além de valorizar a cidade e a pesquisa acadêmica desenvolvida pela professora Clarisse Ismério, considerada referência internacional em arte cemiterial.

