Cidade
Um ano após proibição de celulares, escolas de Bagé avaliam impactos
por Márlon Castro Posqui
Aprovada em janeiro de 2025, a Lei 15.100 completou um ano de vigência, estabelecendo regras para o uso de aparelhos eletrônicos portáteis pessoais por estudantes da educação básica, em instituições públicas e privadas de todo o país. Em Bagé, a redação do Jornal Minuano ouviu gestores escolares para entender como a normativa tem sido aplicada e quais mudanças foram percebidas no cotidiano das escolas.
No IFSul Campus Bagé, antes da lei, o uso de celular era, em geral, permitido, cabendo ao professor restringir em sala de aula. Segundo o chefe do Departamento de Ensino, Pesquisa e Extensão (Depex), Lisandro Moura, a impressão dos docentes após a proibição é positiva, principalmente em relação à atenção nas aulas e ao convívio entre estudantes. A escola orienta que os aparelhos permaneçam guardados na mochila, em modo silencioso. Em caso de descumprimento, são aplicadas advertências progressivas, podendo chegar à suspensão.
Sobre os impactos, Moura afirma que ainda é cedo para mensurar reflexos concretos em notas e desempenho. “Não é possível medir isso com precisão, mas a impressão geral dos professores é positiva”, relata. Ele destaca melhora na atenção durante as aulas e no convívio entre os estudantes. No entanto, ressalta que ainda há casos de alunos que tentam burlar as regras e que a efetividade da norma depende da criação de novos hábitos, o que demanda tempo.
Já na Escola Estadual de Ensino Médio Doutor Carlos Kluwe, segundo a diretora Glauce Vargas, o uso do celular em sala de aula já não era permitido antes da lei, mas não havia uma normativa que respaldasse medidas mais firmes. “A gente recolhia e depois devolvia, mas não era algo tão enfático, como não existia a lei”, explica.
Com a lei, a escola passou a utilizar caixas com chave nas salas para armazenar os celulares durante o turno. Conforme a direção, houve melhora no rendimento e, principalmente, na interação social. A instituição ampliou opções no intervalo, com mesas de pingue-pongue, pebolim, xadrez, futmesa e incentivo à leitura na biblioteca.
A diretora avalia que as mudanças foram significativas, não apenas no rendimento escolar, mas principalmente na interação social. “Tivemos um ganho muito grande. Alunos que antes não conversavam passaram a interagir mais. Um pai relatou que o filho chegou em casa dizendo que estava conhecendo os colegas”, conta.

