Cidade
Ramadã mobiliza comunidade muçulmana de Bagé com jejum, oração e caridade
por Márlon Castro Posqui
O Ramadã é o nono mês sagrado do calendário islâmico e, em 2026, teve início em 17 de fevereiro, podendo se estender até 19 de março, conforme a observação da lua. Durante o período, os muçulmanos têm a rotina modificada: acordam antes do nascer do sol para realizar a primeira refeição do dia e voltam a se alimentar somente após o pôr do sol. O mês também é marcado pela intensificação das orações e pela leitura do Alcorão.
Membro da comunidade local, Nasser Yusuf explica que o Ramadã marca o período em que, conforme a tradição islâmica, ocorreu a revelação do Alcorão ao profeta Maomé. “O Ramadã foi a época em que Deus revelou os versículos do Alcorão aos muçulmanos. Maomé, nosso profeta, foi o último mensageiro enviado por Deus. Ele recebeu as mensagens relacionadas aos ordenamentos, à doutrina e ao tipo de vida que cada pessoa deve levar”, afirma.
Além do jejum, a caridade também ganha destaque durante o mês sagrado. Um dos pilares do Islã é o zakat, contribuição correspondente a 2,5% dos bens acumulados, destinada às pessoas em situação de vulnerabilidade. Embora possa ser realizada em qualquer época do ano, muitos fiéis optam por cumpri-la durante o Ramadã. “A doação deve ser feita de forma discreta, sem divulgação pública. A pessoa deve ajudar quem necessita, os carentes e pobres”, destaca Yusuf.
Durante o período, a comunidade também realiza orações conjuntas à noite, na mesquita. “Todos os dias, a comunidade se reúne para praticar a oração. Lembrando que todo muçulmano, esteja no Ramadã ou não, deve realizar cinco orações diárias”, explica.
Para Yusuf, o Ramadã também representa um exercício de reflexão e empatia. “Ele nos torna mais conscientes da nossa fragilidade. Faz com que sintamos na pele o que é a fome e a sede. Infelizmente, muitas pessoas pelo mundo não têm acesso à alimentação e à água potável”, conclui.

