Cidade
Seis anos depois, covid-19 ainda circula em Bagé, mas com cenário controlado
por Melissa Louçan
Seis anos após o início da pandemia de covid-19, Bagé vive um cenário diferente daquele registrado em 2020. A crise sanitária que mobilizou sistemas de saúde e alterou rotinas em todo o mundo hoje está sob controle, principalmente em razão da vacinação em larga escala iniciada em 2021. Ainda assim, o vírus segue em circulação e exige atenção, com doses de reforço disponíveis anualmente para a população.
Dados do Painel de Hospitalizações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) mostram que, nos três primeiros meses de 2026, foram registradas 15 hospitalizações por SRAG, sendo quatro relacionadas à covid-19. No mesmo período, houve dois óbitos relacionados à doença. Atualmente, o índice de incidência é de 3,29 casos a cada 100 mil habitantes, enquanto a taxa de mortalidade está em 1,65 por 100 mil. Entre os pacientes hospitalizados neste ano, dois eram menores de um ano, um tinha entre 40 e 59 anos e outro mais de 80. As mortes também foram registradas nas faixas de 40 a 59 anos e acima de 80 anos.
Em 2025, o município contabilizou 192 hospitalizações por SRAG, das quais 15 foram associadas à covid-19. Ao longo do ano, também foram registrados dois óbitos pela doença entre as 36 mortes por SRAG. Os números reforçam a redução expressiva em comparação aos períodos mais críticos da pandemia, embora indiquem que o vírus ainda mantém presença ativa.
Em meio às lembranças do período mais agudo da crise sanitária, profissionais da saúde seguem como símbolo de resistência. A técnica em radiologia Viviane Chagas Etchevarria, de 58 anos, foi uma das três primeiras pessoas a receber a vacina em toda a região, em janeiro de 2021, ao lado da técnica em enfermagem Vani Rodrigues Domingues e da médica Salete Terezinha Glaschek.
Viviane recorda que o momento da imunização foi marcante em meio ao cenário de incertezas. “A sensação de ter sido a primeira a ser vacinada foi algo maravilhoso naquele momento em que todos vivíamos o caos, o medo e a insegurança. Foi um sentimento de gratidão muito grande”, relata. Segundo ela, não houve reações adversas, e a vacinação trouxe mais confiança para seguir atuando na linha de frente.
Passados seis anos, a profissional avalia que a pandemia deixou aprendizados importantes. Ela destaca a necessidade de reflexão sobre o comportamento coletivo e o papel dos profissionais da saúde no cuidado com o próximo. “Hoje, seguimos com a rotina acelerada e com mais cuidado, principalmente no ambiente hospitalar, porque os vírus continuam circulando. Graças às vacinas, tudo está sob controle, o que mostra a importância da vacinação”, afirma.
Vale destacar que como forma de preservar a memória de um dos períodos mais marcantes da história recente, a primeira ampola da vacina contra a covid-19 aplicada em Bagé está exposta em uma sala dedicada à medicina no Museu Dom Diogo de Souza. O item integra o acervo mantido pela Fundação Attila Taborda e é acompanhado por uma placa que contextualiza o cenário da época, destacando o impacto da pandemia e o significado da chegada da vacina como símbolo de esperança e retomada.

