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Bajeense incentiva leitura e destaca autores da América Latina nas redes

“Enquanto a gente não se enxergar como pertencentes à América Latina, vai seguir batendo continência para o norte global, que não tem nada a ver com nossas culturas”

Em 12/04/2026 às 08:27h

por Melissa Louçan

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Bajeense defende literatura latina no mundo dos

A literatura como ponte entre o Brasil e a América Latina guia o trabalho da bajeense Jéssica Vaz Mattos, 34 anos. Professora de espanhol, ela mantém perfil no Instagram e canal no YouTube dedicados à divulgação de livros, com foco especial em autores latino-americanos e na formação de leitores. Juntos, os perfis somam mais de 12 mil inscritos - um número significativo em um país em que 53% da população é considerada não leitora, e mesmo entre os que leem, a média anual de leitura é baixa, sendo de 3,96 livros por pessoa, segundo pesquisa realizada pelo Instituto Pró-Livro.

Através de seus perfis, a proposta é compartilhar experiências de leitura, reflexões e ideias que surgem a partir do contato com as histórias, incentivando o hábito e ampliando o acesso à literatura. Parente do tradicionalista, poeta e escritor Eron Vaz Mattos, Jéssica cresceu em um ambiente marcado pela valorização cultural. 

A relação com a leitura começou ainda na infância, com quadrinhos, e se fortaleceu no ensino médio, quando teve contato com autores brasileiros clássicos. “Meu caminho não foi muito diferente do de muitos leitores: comecei pelos gibis da Turma da Mônica, mas demorei para entrar na leitura ‘adulta’, coisa que só aconteceu no ensino médio, graças a um professor maravilhoso”, relembra. A partir da graduação em Letras Português-Espanhol pela Unipampa, a leitura passou a assumir também um caráter profissional, com análise crítica das obras e, mais tarde, a criação de conteúdo sobre literatura na internet.

O interesse pela produção latino-americana surgiu antes mesmo do contato direto com os livros, por meio da música ouvida em casa, especialmente de artistas da Argentina e do Uruguai. Ao perceber semelhanças culturais e históricas entre os países, ela passou a refletir sobre a pouca presença dessa literatura entre leitores brasileiros. “Enquanto a gente não se enxergar como pertencentes à América Latina, vai seguir batendo continência para o norte global, que não tem nada a ver com nossas culturas”, afirma.

Na avaliação da professora, essa distância ainda existe por diferentes fatores, como a dificuldade de identificação cultural e a própria dinâmica do mercado editorial, que privilegia autores de língua inglesa. Para ela, ampliar o contato com escritores latino-americanos exige também uma escolha consciente dos leitores, com pesquisa e disposição para ir além das tendências mais divulgadas.

Além dos conteúdos nas redes sociais, Jéssica desenvolve clubes de leitura online desde 2020. O Clube Leia Latinos propõe leituras de obras de diferentes países da América Latina, incluindo o Brasil, enquanto o Clube de Apoiadores do canal é dedicado à literatura brasileira. Ambos funcionam com encontros virtuais e financiamento coletivo, e têm como foco a formação de leitores e a discussão das obras em grupo. A curadoria prioriza diversidade de países, equilíbrio entre autores e gêneros literários, além da acessibilidade dos títulos, com preferência por obras também disponíveis em formato digital.

A experiência, segundo ela, tem gerado mudanças no olhar dos participantes. Muitos chegam aos encontros interessados em conhecer melhor a literatura do continente e, com o tempo, passam a perceber semelhanças culturais e históricas entre os países. “A maioria relata que chega sem muita ideia dessa nossa irmandade e, depois de alguns meses, compartilha o quanto mudou sua visão sobre o Brasil em relação à América Latina”, comenta.

Para ela, o crescimento dos perfis literários nas redes sociais tem impacto direto na relação das pessoas com a leitura. “O lado bom é a democratização do acesso ao conhecimento. Mas, por conta dos formatos curtos, estamos com cada vez menos capacidade de concentração, e sem concentração não há leitura”, avalia. Ela defende que divulgadores, professores, escolas e famílias precisam atuar em conjunto para estimular leituras mais profundas e debates que ultrapassem impressões rápidas.

Entre autores latino-americanos para quem deseja começar a explorar essa literatura, ela sugere nomes como Natalia Borges Polesso, Conceição Evaristo, Socorro Acioli, Mariana Enriquez, Pilar Quintana e Alejandro Zambra, três brasileiras e três escritores da Argentina, Colômbia e Chile.

O trabalho da bajeense pode ser acompanhado pelo canal no YouTube, pelo perfil no Instagram @jessicavmattos e também apoiado por meio do financiamento coletivo ligado ao Clube Leia Latinos, iniciativa que reúne leitores interessados em ampliar o contato com a produção literária do continente.

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LETRA RÁPIDA

MEC lança aplicativo gratuito com quase 8 mil livros digitais

O Ministério da Educação (MEC) disponibilizou o aplicativo MEC Livros, que reúne quase 8 mil obras digitais gratuitas - e isso inclui livros relativamente recentes, nacionais e internacionais, como Torto Arado e a série Harry Potter. A plataforma funciona como uma biblioteca pública online, permitindo o empréstimo de livros contemporâneos e o download de títulos em domínio público.

O aplicativo oferece recursos de personalização da leitura, como ajuste de fonte e contraste, além de ferramentas de apoio com inteligência artificial. O acesso é gratuito e pode ser feito por meio de login integrado ao gov.br.

O MEC também anunciou o lançamento do MEC Idiomas, com cerca de 800 aulas de inglês e espanhol, do nível básico ao avançado. A iniciativa busca ampliar o acesso à leitura e ao aprendizado de idiomas de forma digital e gratuita.

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QUAIS OS LIVROS MAIS PROCURADOS NA BIBLIOTECA PÚBLICA DR. OTÁVIO SANTOS EM MARÇO?

- Após a chuva, de Lygia Barbieri;

- A Hóspede noturna, de Heather Gudenkauf;

- Garota exemplar, de Gillian Flynn;

- O Morro dos ventos uivantes, de Emily Brontë;

- O Nome da rosa, de Umberto Eco.

BREVE SINOPSE DE O MORRO DOS VENTOS UIVANTES COM MINIATURA:

Impulsionado pela nova adaptação para o cinema, a obra, longe de qualquer romance idealizado, mergulha em uma atmosfera sombria, marcada por obsessão, ressentimento e relações destrutivas. A história de Heathcliff e Catherine é intensa e desconfortável, mais próxima do lúgubre do que do amor romântico. Justamente por isso, o livro segue fascinando gerações: é um clássico que incomoda, provoca e permanece na memória.

 

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