Minuano Conecta
Essencial: 19 anos de moda, identidade e conexões em Bagé
estilo&essência | Por Érica Alvarenga, acadêmica de Jornalismo
por Érica Alvarenga
Logo na entrada da loja, uma frase antecipa o que está por vir: “essencial é ser você”. Mais do que um nome, a loja Essencial carrega, há 19 anos, uma forma própria de entender a moda – menos sobre tendência, mais sobre identidade e essência.
A história da loja começou de forma despretensiosa. Após uma demissão, Gisele Berchon decidiu investir o valor da rescisão em uma viagem para comprar roupas, na intenção de se aventurar nas vendas. “Fui, comprei, voltei para Bagé e vendi tudo muito rápido. Aí pensei: esse negócio dá certo”, relembra.
As viagens se repetiram, as compras aumentaram e, aos poucos, a venda ganhou ritmo. Sem loja física, o contato com as clientes era direto. “Eu ia na casa das clientes para vender. Andava de moto, cheia de sacolas”, conta.
O que começou assim, de forma simples, logou virou uma grande ambição. A vontade de crescer acompanhava cada venda. “Eu sempre fui muito ambiciosa, sempre quis um pouco mais”, resume.
Foi nesse movimento que nasceu a Essencial. Instalada em um ponto afastado da avenida principal da cidade, o endereço rapidamente se consolidou – não apenas como loja, mas como um ponto de encontro entre estilo, identidade e relação.
Mais do que vender peças de roupas, Gisele encontrou na Essencial uma forma de se conectar com pessoas. Ao longo dos anos, clientes deixaram de ser apenas consumidoras e passaram a fazer parte da história da loja. A convivência diária construiu confiança, intimidade e, em muitos casos, amizade. “A gente cria um carinho gigantesco”, conta, emocionada.
Esse vínculo também se constrói no espelho. Para Gisele, o vestir vai além da estética, é transformação. “Às vezes a cliente chega pra baixo, insegura, mas sai daqui se olhando de outro jeito. A gente trabalha com essa autoestima.”
A curadoria Essencial
Dentro da Essencial, vestir bem não está ligado a seguir regras ou tendências passageiras, mas à forma como cada mulher se percebe. “O vestir bem é tu te sentir bonita, confiante. Independentemente do que os outros vão achar.”
É essa visão que orienta a curadoria da loja, uma das marcas mais fortes da Essencial ao longo dos anos. Indo contra o grande movimento de consumo acelerado, a escolha das peças parte de um olhar de consumo mais consciente e duradouro.
“Eu busco peças que as pessoas possam usar por muitos anos, não só por uma tendência.” A comprovação vem com o tempo – clientes que voltam com peças de anos atrás, ainda em uso, são a prova de que a escolha faz sentido. “Isso é muito importante pra nós”.
Parte dessa construção também passa pelo olhar compartilhado dentro da loja. Catiele Cougo, que trabalha na equipe Essencial desde o início da trajetória, se tornou uma peça fundamental nesse processo. “A gente soma. Cada uma tem um olhar, e isso fortalece a loja e a sua identidade”, explica Gisele.
A combinação entre estilos, gostos e experiências ajudou a construir uma identidade própria – reconhecida por quem entra e, principalmente por quem volta.
Entre desafios, responsabilidades e a exigência de manter um negócio durante quase duas décadas, Gisele reconhece que o caminho nunca foi simples. Ainda assim, a motivação permanece. Hoje, com o espaço ampliado e planos de crescimento, o desejo é continuar expandindo, sem perder aquilo que fez a loja chegar até aqui.
Entre as araras, sapatos e acessórios, outra frase emoldurada chama a atenção no interior da loja: “o essencial é invisível aos olhos”. A ideia parece atravessar não só o tempo, mas também a forma como a Essencial construiu sua trajetória.
Em um lugar onde vestir nunca foi apenas sobre roupa, mas sobre identidade, falar de estilo acaba sendo, inevitavelmente, falar de essência.

