Saúde
Abril Marrom reforça prevenção e cuidado com a saúde ocular
por Melissa Louçan
Este mês é marcado por uma campanha que chama atenção para um sentido muitas vezes negligenciado no dia a dia: a visão. O Abril Marrom busca conscientizar sobre a prevenção da cegueira e a importância do diagnóstico precoce de doenças oculares, que podem comprometer a qualidade de vida em qualquer fase da vida, da infância à terceira idade.
No Brasil, os números acendem o alerta. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base na Pesquisa Nacional de Saúde, apontam que mais de 6,5 milhões de brasileiros têm algum tipo de deficiência visual, sendo cerca de 500 mil pessoas com cegueira total. Já a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que grande parte dos casos de perda de visão poderia ser evitada ou tratada, especialmente quando identificada precocemente.
A oftalmologista Renata Vitral reforça que o cuidado deve começar cedo. “O ideal é a primeira consulta a partir dos seis meses, para avaliar se há alguma alteração estrutural ou problema na retina”, explica. Segundo ela, crianças prematuras ou com histórico familiar de problemas de visão precisam de atenção ainda mais rigorosa.
Após essa primeira avaliação, o acompanhamento segue conforme o desenvolvimento da criança. “Se estiver tudo bem, uma nova consulta com um ano. Depois, a gente avalia se o acompanhamento será anual ou mais espaçado. Dos três aos sete anos, o ideal é pelo menos uma vez por ano”, orienta.
Além das consultas, sinais do dia a dia podem indicar que algo não vai bem. Aproximar muito objetos do rosto, piscar excessivamente, reclamar de dor de cabeça ou coçar os olhos com frequência são alguns dos comportamentos que merecem atenção. “Também é importante observar o ambiente escolar, se a criança se aproxima muito da televisão ou apresenta olhos vermelhos com frequência”, acrescenta a médica.
Na infância, o diagnóstico precoce pode identificar condições como estrabismo, ambliopia (quando um dos olhos tem menor capacidade de visão), além de erros de refração como miopia, astigmatismo e hipermetropia. Casos mais raros, como retinoblastoma — um tumor intraocular — também podem ser detectados nas primeiras consultas.
Já na vida adulta, o acompanhamento segue sendo fundamental, especialmente para pessoas com doenças crônicas. “Pacientes com diabetes e pressão alta precisam de atenção, porque essas condições podem afetar a visão. Depois dos 65 anos, é importante avaliar sempre a presença de catarata e glaucoma”, destaca.
Entre as principais causas de perda de visão, a especialista aponta doenças bastante comuns. “Glaucoma e catarata estão entre as principais causas. O diabetes descontrolado também pode levar à perda irreversível da visão, assim como a pressão alta”, afirma.
Fique atento à saúde dos olhos
Primeira consulta oftalmológica: a partir dos 6 meses de idade
Crianças: acompanhamento regular, especialmente entre 3 e 7 anos
Sinais de alerta: dor de cabeça, olhos vermelhos, coceira, dificuldade para enxergar
Doenças comuns: miopia, astigmatismo, hipermetropia, estrabismo
Atenção redobrada: pessoas com diabetes e hipertensão
Após os 65 anos: avaliação frequente para catarata e glaucoma
Prevenção: consultas periódicas podem evitar ou reduzir a perda de visão

