Cidade
Comunidade se mobiliza para reativar a UBAM e fortalecer associações de bairro em Bagé
Lideranças comunitárias articulam reestruturação da UBAM, que segue sem diretoria legitimada, enquanto associações enfrentam entraves legais
por Márlon Castro Posqui
Lideranças comunitárias, representantes de associações de bairro e apoiadores institucionais estão mobilizados para reestruturar a União Bageense de Associações de Moradores (UBAM). Embora a entidade ainda exista formalmente e mantenha participação em alguns conselhos municipais, ela não possui hoje uma diretoria legitimada perante a lei, o que compromete sua representatividade.
A UBAM teve sua última eleição oficial registrada entre 2006 e 2009. Devido a falta de representação ativa, as associações de moradores ficaram desassistidas, o que contribuiu para a desorganização e, em muitos casos, a inatividade dessas entidades. Hoje, em Bagé, apenas uma associação de bairro é regulamentada, a do Ivo Ferronato.
Vice-presidente da Associação do Povo Bageense, Jandir Paim, explicou a realidade do movimento comunitário de Bagé: “a UBAM está praticamente parada, e as associações ficaram sem apoio. Hoje, cada bairro tenta se organizar como pode, mas sem uma entidade central fica muito mais difícil.”
Na última quinta-feira, 23, representantes de bairros, professores de instituições de ensino superior e membros da Associação do Povo Bageense estiveram reunidos com a reportagem, na Câmara de Vereadores. Na ocasião, foi apresentado um plano para reativação da UBAM. De acordo com os ativistas, a união ainda possui uma representação jurídica ativa que deve auxiliar na publicação de edital para nova eleição.
A reativação da entidade é vista como estratégica para retomar a articulação coletiva e garantir mais força às demandas comunitárias. Segundo Jandir, a UBAM deve voltar a atuar como intermediadora entre os bairros e a administração municipal, reunindo reivindicações e encaminhando pautas prioritárias. “A UBAM sempre foi o mediador entre a associação e o poder público. Sem essa ponte, as demandas acabam se perdendo dentro da estrutura da prefeitura”, destaca Paim.
Outro ponto central da mobilização é a necessidade de regularizar juridicamente as associações. Atualmente, poucas entidades estão com a documentação em dia, o que dificulta o acesso a recursos e limita a atuação formal dos grupos. “Sem estar legalizada, a associação não tem voz. E muitas não conseguem se regularizar por falta de apoio técnico e até financeiro”, destacam os líderes.
Além da reorganização administrativa, o grupo defende a atualização do estatuto da UBAM, que é de 1986, sendo considerado defasado em relação à legislação atual. A proposta inclui a realização de uma nova eleição, com regras claras e participação ampliada das associações.
O movimento também levanta a necessidade de garantir independência em relação à política partidária, apontando que interferências anteriores prejudicaram o funcionamento da entidade. “O movimento comunitário precisa ser independente. Quando se mistura com política partidária, perde o foco e deixa de representar de fato a comunidade”, avaliou um dos participantes da reunião.
Como deve funcionar a reestruturação
Como encaminhamento, os participantes discutem a construção de um processo legal para reativação da UBAM, que passa pela convocação de associações, formação de um conselho deliberativo e posterior realização de eleições. Caso não haja avanço nesse sentido, não está descartada a criação de uma nova entidade, embora a preferência seja preservar a estrutura existente e sua trajetória histórica.
Foi o advogado da UBAM que manteve, desde a última eleição, as contas da entidade em dia, possibilitando que o CNPJ esteja ativo ainda hoje. Emerson da Silva realiza reuniões com as lideranças para decidirem juntos qual a melhor possibilidade. “Vamos trabalhar para reerguer, juntando pessoas e guerreiros, o mais breve possível”, explica.
Estiveram reunidos para a discussão: a líder do Bairro São Martins, José Otávio e Higienópolis, Veraci Brião; o advogado João Luiz Pires, que auxilia as lideranças com as questões legais; representante do Parque Marília, Luis Mario Moraes; representantes do Ivo Ferronato, Jandir Paim e Itamar Terres; e os professores Evandro Guindani da Unipampa e Gabriel Bruno do IFSul.

