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Dia Nacional em Memória das Vítimas da Covid-19 reacende lembranças e dá voz a famílias que ainda convivem com o luto

Em 14/05/2026 às 17:56h

por Melissa Louçan

Dia Nacional em Memória das Vítimas da Covid-19 reacende lembranças e dá voz a famílias que ainda convivem com o luto | Cidade | Jornal Minuano | O jornal que Bagé gosta de ler
Jornalista e a mãe, Mana Risch Foto: Arquivo Pessoal

A criação do Dia Nacional em Memória das Vítimas da Covid-19, instituído oficialmente para ser celebrado em 12 de março, representa, para muitas famílias brasileiras, mais do que uma homenagem simbólica. A data, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, busca preservar a memória das mais de 700 mil pessoas que morreram em decorrência da doença no país e reforçar a importância da ciência, do SUS e das políticas públicas de saúde no enfrentamento de crises sanitárias.

O dia escolhido marca o registro da primeira morte por Covid-19 no Brasil, em 2020. Mas, para o jornalista e escritor Fernando Risch, a data possui um significado ainda mais pessoal: foi em 12 de março de 2021 que ele perdeu a mãe para a doença.

Ao descobrir a coincidência, Fernando conta que sentiu como se a homenagem também alcançasse, de forma direta, a história da própria família. “Parecia algo direcionado, como se dissessem que sim, a vida da minha mãe importava e ela não seria esquecida”, afirmou.

Segundo ele, a criação de uma data nacional é importante para evitar que a pandemia seja reduzida apenas a estatísticas ao longo do tempo. Para o jornalista, o reconhecimento público ajuda a preservar a dimensão humana da tragédia vivida por milhares de brasileiros: “É extremamente importante para que o que aconteceu no Brasil não caia no esquecimento, para que as vítimas não sejam apenas asteriscos de um período da história, uma mera estatística sem rosto e sem identidade”.

Fernando também relembra as marcas deixadas pelo luto vivido durante a pandemia, especialmente pelas restrições impostas no período mais crítico da doença. A mãe dele foi internada em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), e o contato entre os dois nunca mais aconteceu pessoalmente.

A despedida ocorreu de maneira indireta, por meio de uma carta enviada à mãe enquanto ela ainda estava hospitalizada. Segundo ele, a mensagem precisou ser lida por profissionais de saúde, porque ela já não tinha forças para fazê-lo sozinha.

Além da perda, ele recorda a dor provocada pela ausência de rituais tradicionais de despedida, realidade enfrentada por milhares de famílias durante a pandemia. Sem velórios e com caixões lacrados, muitos parentes tiveram de lidar com o luto de forma abrupta. “A dor da saudade é amplificada pela dor de jamais poder ter dado um último abraço e poder ter dito adeus”, relatou.

Na avaliação do jornalista, o período da pandemia também precisa continuar sendo debatido sob o ponto de vista político e social. Ele defende que as decisões tomadas durante a crise sanitária não sejam esquecidas e critica a condução do governo federal à época, especialmente em relação ao atraso na compra de vacinas, à disseminação de desinformação e ao incentivo ao descumprimento de medidas de segurança.

Além da instituição da data nacional, o Governo Federal promoveu homenagens em monumentos de seis capitais brasileiras e inaugurou, em Brasília, a instalação “Cada Nome, Uma Vida”, dedicada às vítimas da Covid-19. A iniciativa busca manter viva a memória das pessoas que perderam a vida durante a pandemia e reconhecer o impacto permanente deixado nas famílias brasileiras.

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