Saúde
Exame de sangue para Alzheimer avança e pode transformar diagnóstico da doença
Em evento promovido pelo Hospital Moinhos de Vento, pesquisador referência mundial em biomarcadores afirmou que testes sanguíneos para Alzheimer já alcançam 95% de precisão diagnóstica
por Viviane Becker
A possibilidade de diagnosticar o Alzheimer por meio de um exame de sangue vem ganhando força nos principais centros de pesquisa do mundo. Os avanços mais recentes nessa área foram apresentados pelo pesquisador sueco Kaj Blennow durante o Clinical Research Summit 2026, promovido pelo Hospital Moinhos de Vento, que ocorreu nos dias 12 e 13 de maio em Porto Alegre.
Considerado um dos principais especialistas do mundo em biomarcadores para doenças neurodegenerativas, Blennow mostrou pesquisas voltadas ao uso de exames de sangue na identificação precoce do Alzheimer. A proposta é ampliar o acesso ao diagnóstico e reduzir a dependência de métodos caros, como o PET scan cerebral, e de procedimentos invasivos, como a coleta de líquido cefalorraquidiano por punção lombar.
Segundo o pesquisador, os novos testes medem proteínas associadas às alterações cerebrais características do Alzheimer, especialmente biomarcadores relacionados à proteína tau. “A fosfo-tau, especialmente a p-tau217, tem um excelente desempenho para detectar Alzheimer em fases precoces. Ela se correlaciona muito bem com as alterações observadas no cérebro”, explicou.
Os estudos apresentados durante o evento mostram que a combinação desses biomarcadores sanguíneos já alcança cerca de 95% de precisão para confirmar ou excluir a presença da doença em pacientes com declínio cognitivo.
Blennow destacou, no entanto, que a estratégia não deve ser utilizada inicialmente como rastreamento em massa da população. O foco, segundo ele, será apoiar a investigação de pessoas que já procuram atendimento médico por sintomas como lapsos de memória ou dificuldades cognitivas.
Importância do diagnóstico precoce
Além da precisão diagnóstica, os pesquisadores enxergam nos exames de sangue uma possibilidade concreta de ampliar o acesso ao diagnóstico precoce, especialmente em serviços de atenção primária e regiões sem infraestrutura avançada de imagem. Durante a apresentação, Blennow também apresentou resultados de estudos com coleta capilar por gota de sangue seca, tecnologia semelhante à utilizada em testes rápidos. A proposta é permitir futuramente análises mais simples, inclusive em locais remotos.
Os biomarcadores para Alzheimer ganharam relevância internacional nos últimos anos diante do crescimento de terapias capazes de retardar a progressão da doença em estágios iniciais.

