Esportes
Em meio ao caos, Guarany tenta virar a chave para a Copa FGF
por Yuri Cougo Dias
A goleada sofrida por 4 a 0 para o Cascavel, na tarde de domingo, 24, no Estádio Estrela D’Alva, pela 8ª rodada do Campeonato Brasileiro Série D, aprofundou a crise do Guarany dentro e fora de campo. O que já era um ambiente pressionado pela derrota no clássico Ba-Gua 433 ganhou contornos ainda mais graves após um desempenho desastroso diante da torcida, culminando em agressões físicas contra jogadores na saída do estádio e ampliando a sensação de ruptura dentro do clube.
A derrota enterrou qualquer possibilidade de reação na Série D. Mais do que o resultado, porém, o que chamou atenção foi a forma como o time se desmanchou emocionalmente em campo, refletindo um cenário de abatimento coletivo que hoje parece atingir todos os setores do clube. A direção alvirrubra havia tentado transformar a partida em um ponto de retomada. Para aumentar a presença de público, liberou aos sócios o direito de levar um acompanhante ao estádio. O torcedor respondeu e compareceu em bom número ao Estrela D’Alva. Mas o que encontrou foi uma tarde de caos, em que praticamente tudo deu errado.
Sem o técnico Alessandro Telles, suspenso, o auxiliar Vinícius Nascente comandou a equipe e promoveu mudanças significativas. Raphinha e Tony Júnior apareceram entre os suplentes, mas a principal decisão foi a ida de Jonathan para o banco de reservas. A comissão técnica optou por preservá-lo, recolocando Thiago Gonçalves no time titular. O goleiro, que havia perdido espaço por decisão do então técnico Gelson Conte no início da Série D, retornou justamente em um dos momentos mais delicados da temporada.
Em campo, o cenário rapidamente se tornou incontrolável. Com apenas 16 minutos, o lateral Talles foi expulso após uma entrada considerada imprudente, deixando o Guarany em inferioridade numérica cedo demais. No segundo tempo, Vítor Oliveira também recebeu cartão vermelho, reduzindo a equipe a nove jogadores. A partir daí, o Cascavel encontrou espaços com facilidade e construiu a goleada de maneira natural, diante de um adversário completamente desorganizado e emocionalmente entregue.
Em meio ao desespero, a comissão técnica ainda antecipou a entrada de David Cunha, numa tentativa de colocar em campo um nome menos pressionado pela torcida. Sem ritmo de jogo e ainda distante da melhor condição física, o atleta acabou lançado em um contexto desfavorável, no auge da instabilidade emocional da equipe.
O impacto da derrota extrapolou o gramado. Na saída do estádio, jogadores foram alvo de agressões físicas em meio à presença de familiares, episódio que agravou ainda mais o ambiente interno e pode acelerar saídas de atletas do elenco. O temor dentro do clube é que o desgaste emocional provocado pelos últimos acontecimentos gere pedidos de desligamento ou até uma ruptura mais ampla no grupo.
Após a partida, o presidente Tato Moreira confirmou, em entrevistas concedidas à imprensa, que mudanças serão realizadas. O dirigente admitiu saídas no elenco e afirmou que o clube buscará ao menos quatro reforços para a sequência da temporada.
Embora a Série D tenha se transformado apenas em cumprimento de tabela — restando ainda confrontos contra Joinville, fora de casa, e Cianorte, no Estrela D’Alva —, a direção tenta manter viva a mobilização em torno da Copa FGF. Matematicamente, ainda há um cenário possível de classificação, já que restam quatro rodadas da primeira fase.
O problema, entretanto, é reconstruir minimamente a confiança de um elenco abatido. E o desafio é imediato. Apenas três dias após a goleada, o Guarany volta a campo nesta quarta-feira, 27, às 15h, novamente no Estrela D’Alva, para enfrentar o Farroupilha, pela terceira rodada da Copa FGF.
O adversário, mesmo com limitações financeiras e de elenco, já demonstrou capacidade de competir. Na estreia da competição, arrancou empate com o Bagé fora de casa após um contra-ataque no fim da partida. Na rodada seguinte, perdeu por 1 a 0 para o Brasil de Pelotas, mas criou situações perigosas ofensivamente. Diante de um Guarany fragilizado e pressionado, o Farroupilha chega sabendo que qualquer instabilidade emocional do adversário pode ser decisiva.

