Cidade
Mesmo após chuva, Daeb alerta para risco de ampliar racionamento em Bagé
Sem recuperação significativa dos reservatórios, Daeb reforça necessidade de economia de água e informa que desperdício pode gerar multa e até suspensão do abastecimento
por Érica Alvarenga
As chuvas registradas em Bagé durante o último final de semana não foram suficientes para alterar o cenário de crise hídrica enfrentado pelo município. Segundo o Departamento de Água, Arroios e Esgoto de Bagé (Daeb), a precipitação teve impacto insignificante nos reservatórios que abastecem a cidade, mantendo a necessidade do racionamento de 16 horas diárias, que entrou em vigor na segunda-feira, 8.
A ampliação da restrição no abastecimento ocorreu em razão da estiagem prolongada e da baixa recuperação das barragens ao longo dos últimos meses. Conforme o Daeb, todos os meses do ano registraram índices de chuva abaixo da média histórica, comprometendo os níveis dos reservatórios responsáveis pelo abastecimento da população.
Os números mais recentes do Daeb demonstram que a precipitação registrada nos últimos dias teve impacto limitado na recuperação dos mananciais. Conforme levantamento realizado ainda na segunda-feira, a barragem do Piraí permanece 3,75 metros abaixo do nível máximo, enquanto a barragem da Sanga Rasa está 9,30 metros abaixo do nível normal. Já o reservatório Emergencial encontra-se cheio. Durante o final de semana, foram registrados 17 milímetros de chuva na Estação de Tratamento de Água (ETA), 25 milímetros na Sanga Rasa, 18 milímetros no Piraí e 20 milímetros na Barragem Emergencial, volumes considerados insuficientes para promover uma recuperação significativa dos reservatórios.
Além da manutenção do atual sistema de revezamento, a autarquia não descarta a adoção de medidas ainda mais rígidas caso o período de estiagem continue. De acordo com informações repassadas pelo departamento, existe a possibilidade de ampliação do racionamento para até 18 horas diárias.
O diretor-geral do Daeb, Max Meinke, tem alertado para a gravidade do cenário. Segundo ele, caso não ocorram novas chuvas de forma regular, a situação poderá se agravar nos próximos meses. A estimativa é de que, sem qualquer reposição hídrica significativa, o sistema tenha capacidade para manter o abastecimento por aproximadamente 60 dias.
O abastecimento segue por meio do sistema de revezamento dividido em dois setores. O Setor 1 recebe água das 4h ao meio-dia e abrange os bairros Centro, Madezatti, São Martins, Vila Brum, Arvorezinha, Vila Damé, Camilo Gomes, Parque Silveira Martins, Hidráulica, Popular, Narciso Suñé, Tarumã, Tupã, Stand, Vila Militar, Vila Brasil, Alcides Almeida, Mingote Paiva, Santa Cecília, Menino Deus, Floresta, Santa Carmem, Ibajé, Vila Gaúcha, Mascarenhas, Cohab, São Jorge e arredores.
Já o Setor 2 é abastecido das 16h à meia-noite e inclui os bairros Getúlio Vargas, Loteamento São Pedro, Jardim do Castelo, São Bernardo, Santa Tecla, Loteamento Severo, Malafaia, Daer, Ivo Ferronato, Castro Alves, Dois Irmãos, Estrela Dalva, Vone, Dolores, Vila Goulart, Passo das Pedras, Tiarajú, Arco, São Judas, Vila Ipiranga, Santa Tereza, Pedra Branca, Bairro Bonito, Vila dos Anjos, Santa Flora, Loteamento do Parque, Industrial I, Balança, Prado Velho, Morgado Rosa, Habitar Brasil, Residenciais Moriá e Ebenezer, Adão Pedra, Dona França, Bela Vista e Santa Terezinha.
Fiscalização ocorre por denúncia
Enquanto o município enfrenta a redução dos níveis dos reservatórios, seguem em vigor as restrições ao uso da água tratada previstas no Decreto Municipal nº 036/2026. Entre as atividades proibidas estão a lavagem de veículos, calçadas, fachadas de prédios, irrigação de jardins e gramados, além da reposição total da água de piscinas.
A fiscalização é realizada a partir de denúncias feitas pela população. Os moradores podem comunicar situações de desperdício pelos telefones (53) 3240-7800 ou 115.
Conforme o decreto, quem descumprir as restrições está sujeito inicialmente à aplicação de advertência. Em caso de reincidência, a multa corresponde a quatro vezes o valor da fatura mensal de água do imóvel, seja residencial ou comercial. Persistindo a infração, o usuário pode ter o fornecimento de água temporariamente interrompido.
Regiões mais afastadas enfrentam maiores dificuldades
De acordo com o Daeb, as áreas mais afetadas pelo racionamento continuam sendo as chamadas "pontas de rede", regiões mais distantes do sistema de distribuição onde a água demora mais tempo para chegar após a retomada do abastecimento.
Para minimizar os impactos nesses locais, a autarquia mantém o atendimento por caminhão-pipa. O serviço pode ser solicitado pelos mesmos canais utilizados para denúncias e atendimento ao público.
Enquanto não há previsão de novas medidas além do racionamento, o Daeb reforça o apelo para que a população adote práticas de consumo consciente, evite desperdícios e verifique possíveis vazamentos internos, consideradas fundamentais para preservar os níveis dos reservatórios e garantir o abastecimento da cidade durante o período de estiagem.

