Segurança
Incêndio reacende debate sobre condições dos hidrantes em Bagé
por Rochele Barbosa
O incêndio de grandes proporções que atingiu um prédio comercial na esquina da avenida General Osório com a rua Melanie Granier, em Bagé, na noite de segunda-feira, 8, reacendeu o debate sobre as condições dos hidrantes públicos do município. Apesar das discussões levantadas após a ocorrência, o comandante do Corpo de Bombeiros de Bagé, tenente Ricardo Toniazzo, enfatiza que em nenhum momento houve falta de água para o combate às chamas.
O fogo atingiu a estrutura localizada sobre a loja Mix Bazar e mobilizou diversas equipes do Corpo de Bombeiros, que trabalharam por várias horas para controlar o incêndio. Conforme Toniazzo, a estratégia adotada pela guarnição levou em consideração uma série de fatores operacionais, incluindo o sistema de racionamento de água existente em algumas regiões da cidade.
Segundo o comandante, o chefe da ocorrência, sargento Emerson, optou por não utilizar imediatamente o hidrante mais próximo porque não havia certeza sobre a disponibilidade de água naquele ponto naquele horário. “Aquela área fica próxima da divisória de setores afetados pelo racionamento. Para não correr o risco de perder tempo tentando abastecer os caminhões em um hidrante que eventualmente pudesse estar sem água, foi tomada a decisão de utilizar os recursos já disponíveis na operação”, explica.
Para garantir o abastecimento contínuo, foram empregados três caminhões do Corpo de Bombeiros, além do apoio de um caminhão-pipa do Departamento de Água, Arroios e Esgoto de Bagé (Daeb), com capacidade para cerca de 20 mil litros. Também foi utilizada parte da reserva técnica de incêndio do prédio administrativo da Universidade Federal do Pampa (Unipampa), nas proximidades da ocorrência, que dispõe de aproximadamente 38 mil litros de água.
De acordo com Toniazzo, a soma dos recursos mobilizados garantiu total segurança para a operação. “Do início ao término da ocorrência houve água disponível. Em nenhum momento faltou água para o atendimento do incêndio”, reforça.
Situação dos hidrantes preocupa
Embora a disponibilidade de água não tenha comprometido o combate às chamas, os números sobre a rede de hidrantes de Bagé chamam atenção. Atualmente, o município possui cerca de 40 hidrantes instalados, porém apenas 14 estão em condições adequadas de funcionamento.
O comandante explica que muitos equipamentos são antigos e sofrem desgaste natural provocado pela ação do tempo e também pelo contato constante com produtos utilizados no tratamento da água. “Alguns hidrantes são muito antigos e o cloro acaba desgastando os componentes. Quando identificamos algum problema durante as inspeções, encaminhamos ofício ao Daeb informando a necessidade de manutenção”, destaca.
O Corpo de Bombeiros realiza periodicamente a chamada “corrida de hidrantes”, atividade de vistoria e testes dos equipamentos distribuídos pela cidade. Segundo Toniazzo, as inspeções ocorrem semanalmente e abrangem todos os hidrantes do município. “Nós fazemos testagem de hidrantes toda semana. Quando encontramos algum equipamento com defeito, comunicamos oficialmente ao Daeb para que seja providenciada a manutenção”, explica.
Além das manutenções, o Corpo de Bombeiros também participa de discussões com o Daeb para ampliar a quantidade de hidrantes disponíveis em Bagé. Conforme o comandante, a autarquia está em processo de aquisição de novos equipamentos para futuras instalações em diferentes pontos da cidade.

