Cidade
Comerciantes cobram solução para caso de homem em situação de rua no centro de Bagé
por Érica Alvarenga
Moradores, comerciantes e trabalhadores relatam uma série de episódios envolvendo um homem em situação de rua que, segundo eles, tem provocado insegurança nas proximidades do supermercado Nicolini, antigo Nacional, na Rua Félix da Cunha.
Os relatos, encaminhados ao Minuano, indicam que a situação se arrasta há cerca de dois meses. Conforme testemunhas que pediram para não serem identificadas, o homem apresenta episódios de desorientação e agressividade, durante os quais teria ameaçado pedestres, comerciantes e clientes de estabelecimentos da região.
Entre as ocorrências relatadas estão abordagens consideradas intimidatórias a mulheres e adolescentes, perseguições a pedestres, maus-tratos a animais, arremesso de garrafas contra pessoas e ameaças de incendiar estabelecimentos com o uso de artefatos improvisados. Também há relatos de que ele costuma portar uma barra de ferro e cacos de vidro.
Segundo um trabalhador da região, equipes da Guarda Municipal, da Brigada Militar e do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) são acionadas com frequência. "É um ciclo que se repete. Quando ele entra em surto, chamamos os órgãos competentes, ele é levado para atendimento médico e, no dia seguinte, retorna ao mesmo local. A preocupação é que a situação está escalando e alguém acabe se machucando", afirmou.
Além da preocupação com a segurança, comerciantes e moradores também manifestam apreensão com as condições de saúde do homem, que estaria vivendo nas ruas há meses e apresentaria condições precárias de higiene.
Ainda conforme os relatos encaminhados à reportagem, ele seria natural de São Leopoldo e já estaria vinculado à rede pública de saúde daquele município.
Município afirma que acompanha o caso
Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde e Atenção à Pessoa com Deficiência informou que o homem é paciente da rede pública de saúde de São Leopoldo, onde está cadastrado em um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS).
Segundo a pasta, foram realizados diversos contatos com a equipe de saúde do município de origem, e uma assistente social de Bagé chegou a se deslocar até São Leopoldo para tratar da situação. Na ocasião, teria sido firmado o compromisso de que ele seria buscado pela equipe responsável.
A secretaria informou ainda que já existia um pedido de internação compulsória expedido em São Leopoldo, o que impedia a abertura de um novo processo com a mesma finalidade. Diante da ausência de providências por parte do município de origem, o Ministério Público foi acionado.
Conforme a nota, foi apresentado um recurso para viabilizar a internação compulsória em Bagé, sob o entendimento de que o homem representa risco para si e para terceiros.
Já a Secretaria Municipal de Assistência Social, Habitação e Direitos do Idoso (SMASI) informou que acompanha o caso desde março, por meio da rede de proteção à população em situação de rua. Segundo a pasta, foram oferecidos acolhimento no Albergue Municipal, alimentação no Restaurante Popular, além da distribuição de roupas e cobertores, especialmente durante os períodos de frio intenso.
A Guarda Municipal informou que tem conhecimento das ocorrências e acompanha a situação, com reforço do patrulhamento na região central.
Enquanto aguardam uma solução definitiva, comerciantes e moradores afirmam conviver diariamente com um cenário de insegurança. "Não queremos que aconteça uma tragédia para que alguma providência seja tomada. A preocupação é tanto com a população quanto com ele próprio", relatou um comerciante que preferiu não se identificar.

