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Simers confirma início de novas restrições; Santa Casa afirma que serviços seguem sem limitações
por Melissa Louçan
As restrições de atendimento aprovadas pelos médicos da Santa Casa de Caridade de Bagé passaram a vigorar nesta quarta-feira, 1º de julho, conforme confirmou o Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers). A direção do hospital, porém, afirmou ao Jornal MINUANO que as atividades seguem normalmente. "A equipe está a postos atendendo. Os serviços da instituição não estão com restrição", informou.
As medidas foram aprovadas em Assembleia Geral Extraordinária promovida pelo Simers no dia 19 de junho. De acordo com o sindicato, a decisão foi motivada pelos atrasos no pagamento dos honorários médicos, que chegam a nove meses para parte dos profissionais. A entidade afirma que, apesar das negociações realizadas com a direção do hospital, não recebeu uma proposta formal contendo cronograma para a quitação dos débitos.
Segundo o Simers, desde o dia 1º passaram a vigorar a restrição das primeiras consultas ambulatoriais em áreas essenciais, das primeiras consultas oncológicas, além da suspensão de exames endoscópicos, laudos anatomopatológicos e citopatológicos eletivos e outros procedimentos diagnósticos que não se enquadrem como urgência ou emergência. Permanecem mantidos, conforme a entidade, os atendimentos de urgência, os tratamentos oncológicos em andamento e situações cujo adiamento possa colocar pacientes em risco.
O posicionamento da Santa Casa, entretanto, diverge do sindicato. Procurada pela reportagem, a instituição informou que os serviços seguem funcionando normalmente e não reconheceu a existência de restrições nos atendimentos. Em manifestações anteriores, o hospital já havia informado que a oncologia permaneceria funcionando conforme os protocolos assistenciais, com manutenção das consultas e aplicações de quimioterapia para pacientes em tratamento.
Crise financeira
O impasse entre médicos e administração ocorre em meio à crise financeira enfrentada pela instituição. Durante coletiva de imprensa realizada na segunda quinzena de junho, a direção da Santa Casa informou que o hospital opera com déficit superior a R$ 1 milhão por mês e atribuiu a situação à defasagem dos repasses do Sistema Único de Saúde (SUS), ao aumento dos custos assistenciais e ao desequilíbrio financeiro acumulado nos últimos anos.
Na ocasião, a provedoria também defendeu a construção de uma solução regional envolvendo municípios atendidos pelo hospital, Governo do Estado e União, argumentando que a instituição presta assistência muito além da população de Bagé.
Enquanto isso, o Simers sustenta que a crise financeira não pode justificar o atraso prolongado no pagamento dos profissionais e afirma que continuará acompanhando a situação junto ao Ministério Público.
Mudança na administração
Em meio ao agravamento da crise, a Santa Casa passou por uma mudança em sua administração. Na Assembleia Geral Extraordinária da Irmandade, realizada na noite de segunda-feira, 29, a provedora Celi Oliveira dos Santos e o 1º vice-provedor, Carlos Eduardo dos Santos, apresentaram renúncia aos cargos.
Em nota divulgada no dia seguinte, a instituição informou que a decisão foi voluntária e teve como objetivo permitir a formação de uma comissão provisória para conduzir a transição administrativa e facilitar a implantação de novas propostas, além da busca por recursos junto ao governo federal.
A comissão provisória passou a ser presidida pelo empresário Lindonor Peruzzo, integrante da Irmandade da Santa Casa, que permanecerá na função até a realização de uma nova eleição para escolha da mesa administrativa.
A mudança também repercutiu no cenário político. Depois de semanas de embates públicos com a antiga administração, período em que solicitou uma auditoria nas contas da instituição ao Ministério da Saúde e questionou a condução financeira do hospital, o prefeito Luiz Fernando Mainardi manifestou apoio à nova gestão. Em nota, desejou sucesso a Lindonor Peruzzo e afirmou que este é o momento de unir esforços para garantir a continuidade dos serviços.
Novos recursos
Em meio às mudanças, o deputado federal Afonso Hamm anunciou a liberação de R$ 1,5 milhão para a Santa Casa por meio da Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados. O parlamentar informou ainda que destinou mais R$ 1 milhão em emenda impositiva, cujo pagamento ainda é aguardado. Somados, os recursos chegam a R$ 2,5 milhões.

