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Atividade física amplia inclusão e qualidade de vida para pessoas com deficiência e neurodivergentes
Com o aumento dos diagnósticos e da busca por espaços mais acessíveis, cresce também a necessidade de profissionais preparados para atender crianças e adultos com diferentes necessidades.
por Miquéli Romero
Durante muito tempo, frequentar uma academia foi um desafio para muitas pessoas com deficiência e pessoas neurodivergentes. Ambientes com excesso de estímulos, falta de acompanhamento individualizado e estruturas pouco adaptadas acabavam afastando um público que também precisa da atividade física para desenvolver autonomia, coordenação motora, força, equilíbrio e qualidade de vida.
Essa realidade começa a mudar à medida que cresce a procura por atendimentos especializados. Em Bagé, a demanda motivou o educador físico e especialista em biomecânica aplicada, Maurício Netto, a criar um espaço voltado exclusivamente para esse público, após perceber que crianças e adultos encontravam dificuldades para permanecer em academias convencionais e então surgiu a Moove Treinamento Aplicado “A procura começou a aumentar principalmente quando essas crianças cresciam e deixavam de se adaptar aos espaços tradicionais. Muitos adultos também relatavam dificuldades com ambientes muito barulhentos, iluminação intensa e grande circulação de pessoas”, conta o educador.
Segundo Maurício, além das questões relacionadas ao ambiente, outro obstáculo é a necessidade de acompanhamento constante durante os exercícios. “Em uma academia convencional, muitas vezes um ou dois profissionais precisam atender diversas pessoas ao mesmo tempo. Algumas pessoas neurodivergentes necessitam de orientação contínua para manter a concentração e executar corretamente os movimentos. Sem esse suporte, acabam não conseguindo evoluir no treinamento", explica.
Exercícios além do condicionamento físico
Embora os benefícios da atividade física sejam amplamente conhecidos, para pessoas com deficiência e neurodivergentes eles vão muito além do condicionamento físico.
De acordo com o educador físico, o trabalho é planejado a partir de uma avaliação individual, considerando as necessidades de cada aluno. O objetivo pode ser melhorar a marcha, fortalecer a musculatura, desenvolver equilíbrio, coordenação motora, postura ou ampliar a independência nas atividades do cotidiano.
O Kauê Velleda Pinheiro, de 33 anos, diagnosticado com Epilepsia, deficiência visual e falta de equilíbrio faz atividade física desde os 2 anos, por recomendação médica. A mãe Sílvia Maria Velleda conta que os exercicíos fazem parte da vida do Kauê e proporcionam uma melhora significativa nos movimentos. "Ele melhorou muito. Ganhou massa muscular, força, melhorou a postura e equilíbrio e faz muita diferença", conta a mãe.
Segundo o educador físico em crianças autistas, por exemplo, os exercícios também auxiliam na percepção corporal, na coordenação, no fortalecimento muscular e na socialização. Já pessoas que utilizam cadeira de rodas, muletas ou outros recursos de mobilidade podem trabalhar postura, força e prevenção de dores provocadas pelo uso contínuo desses equipamentos.
Outro aspecto observado pelo profissional é o crescimento dos casos de obesidade infantil e alterações metabólicas. “Hoje recebemos crianças muito pequenas já com pré-diabetes e outros indicadores alterados. A alimentação influencia bastante, mas a falta de atividade física também contribui para esse cenário. O movimento faz parte do desenvolvimento infantil."
Inclusão começa pelo acolhimento
Na avaliação de Maurício, promover inclusão vai muito além de adaptar equipamentos. O primeiro passo está na capacitação dos profissionais para compreender as diferentes necessidades de cada pessoa. "Cada indivíduo apresenta características diferentes. Para alguns, o barulho incomoda, para outros, a iluminação, as cores ou determinados estímulos. O profissional precisa perceber essas necessidades para adaptar o ambiente e proporcionar um atendimento acolhedor" explica.
Ele observa que o aumento dos diagnósticos também tem impulsionado uma mudança social, levando famílias a buscarem espaços onde crianças e adultos possam participar de atividades com segurança e conforto. “Antes, muitas famílias acabavam permanecendo mais em casa. Hoje existe uma procura maior por inclusão em diversos ambientes, seja para lazer, esporte ou atividade física" comenta o professor.
Quanto antes, melhor
A orientação do especialista é que a prática de atividade física não seja adiada. Segundo ele, iniciar precocemente pode favorecer o desenvolvimento motor, cognitivo e funcional, especialmente durante a infância.
“Quanto antes começar o acompanhamento, maiores são as possibilidades de evolução. Em poucas semanas, muitas famílias já percebem mudanças na coordenação, na postura e até no comportamento. A atividade física faz parte da promoção da saúde e deve ser entendida como um investimento na qualidade de vida", finaliza.

