Cidade
Oficina convida estudantes a revisitar a história de Bagé a partir dos territórios negros
por Érica Alvarenga
Em alusão aos 215 anos de Bagé, comemorados nesta sexta-feira, 17, estudantes do primeiro ano do ensino médio da Escola Estadual de Ensino Médio Dr. Carlos Antônio Kluwe participaram da oficina "Territórios Negros em Bagé", promovida pelo professor de História e Mestre em História pela Universidade Federal de Pelotas, Tiago Rosa da Silva, e pelo pesquisador Antropólogo, Doutor em Antropologia pela Universidade Federal Fluminense/RJ, Rafael Rosa da Silva. A proposta busca apresentar uma nova perspectiva sobre a formação histórica do município, destacando a contribuição da população negra desde o período da escravidão até o pós-abolição.
A atividade consiste em uma aula pública realizada em diferentes pontos da cidade, revisitando espaços históricos sob a ótica da presença e da atuação da população negra. O percurso contempla locais como o antigo Mercado Público, a Praça Silveira Martins, conhecida como Praça do Coreto, a calçada do Clube Comercial e o Clube Os Zíngaros, considerado um importante clube social negro fundado no período pós-abolição.
Segundo o professor Tiago, a oficina foi idealizada especialmente para marcar o aniversário do município e incentivar uma nova forma de compreender a história local. "Nosso objetivo é revisitar o centro histórico da cidade e outras regiões, colocando em evidência a contribuição das populações negras, tanto na época da escravidão quanto no pós-abolição. Queremos analisar Bagé por outra perspectiva, entendendo a cidade como um território negro e valorizando essa história", explica.
Além de abordar a ocupação desses espaços, a atividade também apresenta aos estudantes aspectos da segregação racial vivida no município, como a divisão racial da calçada do Clube Comercial e a criação de espaços próprios pela população negra diante das restrições de acesso a clubes considerados exclusivos para pessoas brancas.
A oficina está sendo desenvolvida com turmas do primeiro e do segundo ano do ensino médio da escola, nos turnos da manhã e da tarde. Após a atividade, os estudantes deverão produzir trabalhos práticos relacionados ao conteúdo apresentado.
De acordo com Tiago, a iniciativa também pretende alcançar escolas da rede municipal de ensino. Entre os projetos previstos está o lançamento de uma cartilha sobre os territórios negros em Bagé, com distribuição prevista para as escolas municipais até novembro deste ano.
Experiência dos estudantes
Para a estudante Laura Alvarenga, a atividade possibilitou o contato com uma parte pouco conhecida da história do município. "O passeio proposto pelo Rafael e pelo Tiago foi muito importante porque aborda uma parte da história de Bagé que muitas vezes é apagada"
A aluna Kauane Ferreira também destacou a importância da iniciativa para ampliar o conhecimento dos estudantes sobre a história local. "Esse passeio que o professor Tiago nos proporcionou é muito importante. Conhecer mais sobre a história do nosso município e sobre a forma como as pessoas viviam e se comportavam é necessário. É um assunto sobre o qual poucas pessoas falam e que deveria estar mais presente nas escolas, para ampliar o conhecimento dos alunos e mostrar que nem tudo corresponde a uma visão romantizada da história", afirma.

