Cidade
Transcampesina avança com estudos técnicos; principal trecho já tem recursos garantidos
por Suélen Delabari
A pavimentação da rodovia Transcampesina segue avançando com a realização dos estudos técnicos necessários para a elaboração dos projetos executivos. Considerada uma das principais obras de infraestrutura da Campanha Gaúcha, a estrada deverá impulsionar o desenvolvimento econômico da região, beneficiando produtores rurais, assentamentos, comunidades quilombolas e milhares de moradores dos municípios envolvidos.
Segundo o prefeito de Candiota e presidente do Consórcio Público Intermunicipal de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental dos Municípios da Bacia do Rio Jaguarão (Cideja), Luiz Carlos Folador, equipes de engenharia executam amplo levantamento técnico ao longo do traçado da rodovia.
Os trabalhos incluem coleta e análise de amostras de solo, ensaios laboratoriais, levantamentos topográficos, sondagens e estudos das chamadas obras de arte, como pontes e demais estruturas necessárias para a implantação da estrada. "É um trabalho técnico bastante complexo, fundamental para garantir a qualidade do projeto e da futura execução da obra", destaca Folador.
O principal trecho da Transcampesina, que ligará o Hospital da Colônia Nova à Hulha Negra, já possui recursos assegurados por meio de financiamento do Fundo Financeiro para Desenvolvimento da Bacia do Prata (Fonplata). O segmento, com cerca de 52 quilômetros de extensão, está em fase de elaboração dos projetos que antecedem a licitação internacional.
Já o trecho entre o Passo do Neto e a Escola Santa Isabel, em Candiota, também avança. Com aproximadamente 10 quilômetros, o projeto de topografia e sondagem já foi concluído e encaminhado para análise técnica do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR). Para essa etapa, estão garantidos R$ 15,5 milhões do Orçamento da União.
Em nota, o setor de comunicação do MIDR informou que o convênio encontra-se atualmente em fase de análise técnica do Projeto Básico, etapa necessária para o prosseguimento das próximas fases do processo. O Ministério também informou que atua em conjunto com o município na consolidação das justificativas técnicas necessárias para viabilizar a inclusão da obra no Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Ainda conforme o MIDR, a Transcampesina é considerada uma obra estratégica para o desenvolvimento da região, e a pasta segue empenhada em dar andamento ao processo.
Somados, os dois primeiros trechos representam cerca de 62 quilômetros de pavimentação com recursos já assegurados.
Folador destaca que outro fator favorável é que o traçado não deverá exigir desapropriações nem enfrentar obstáculos ambientais significativos, o que tende a agilizar o andamento da obra.
Além da importância logística, a Transcampesina deverá facilitar o escoamento da produção agropecuária, melhorar o acesso à saúde e à educação, fortalecer a cadeia leiteira, estimular o turismo rural e impulsionar o desenvolvimento econômico dos municípios da Campanha Gaúcha.
Outro diferencial do projeto será a utilização de pavimento rígido em concreto. Conforme Folador, a tecnologia apresenta custo entre 15% e 20% inferior ao do pavimento asfáltico e vida útil estimada em aproximadamente 40 anos. "É uma obra que pode servir de exemplo para outras regiões do Rio Grande do Sul e do Brasil, tanto pela economia quanto pela durabilidade desse tipo de pavimento", afirma.
Com cerca de 165 quilômetros de extensão quando concluída, a Transcampesina deverá beneficiar aproximadamente cinco mil famílias de produtores rurais e gerar impacto direto e indireto para cerca de 100 mil pessoas em toda a região sul do Estado.

