Campo e Negócios
Presidente da Rural avalia que medida de renegociação ficou abaixo das necessidades do setor
por Redação JM
Para o presidente da Associação e Sindicato Rural de Bagé, Geraldo Brossard Corrêa de Mello, a medida provisória editada pelo governo federal, que cria uma linha para renegociação de aproximadamente R$ 100 bilhões em dívidas de produtores rurais e cooperativas, representa um avanço, mas não atende às necessidades do setor.
Segundo o presidente, o produtor rural enfrenta dificuldades permanentes, entre elas os impactos climáticos, que fogem ao seu controle, e precisa ser ouvido na construção de políticas públicas. "O produtor não quer deixar de pagar. Quer ter uma forma de poder pagar", destaca.
O dirigente menciona a atuação do deputado federal Afonso Hamm, do Progressistas, na construção de uma proposta de renegociação por meio de projeto que tramitava no Congresso Nacional. Também citou os estudos do economista-chefe da Farsul, Antônio da Luz, sobre a situação dos produtores do Rio Grande do Sul, que integravam os debates.
Na avaliação do presidente, a medida provisória teve caráter conciliador, mas ficou abaixo da necessidade do setor. Ele argumenta que, na prática, muitos produtores poderão não conseguir acesso ao crédito, já que a concessão das operações permanece sob decisão das instituições financeiras. Para o presidente da entidade, a renegociação deveria ocorrer por deliberação do governo.
O dirigente também avalia que o Rio Grande do Sul nunca contou com um programa governamental que atendesse de forma efetiva os produtores rurais do Estado. “Costumo dizer que a educação é primordial. Mas para aprender, é preciso ter saúde. E para ter saúde é preciso estar bem alimentado. É por isso o produtor rural é tão importante e é por suas particularidades que deveria ser ouvido nessas situações”, reforça.
A medida provisória publicada pelo governo federal cria uma linha para renegociação de aproximadamente R$ 100 bilhões em dívidas de produtores rurais e cooperativas. O texto também prevê a criação de um fundo, com estrutura semelhante ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC), para oferecer garantias às instituições financeiras em operações de crédito rural contratadas por produtores atingidos por eventos climáticos adversos.

