Cidade
Município projeta reabertura parcial do Clube Comercial para 2027
Proposta vai além da recuperação do patrimônio e prevê um centro de eventos com espaços gastronômicos e modelo de autossustentação
por Érica Alvarenga
Depois de ser anunciado como uma das prioridades do plano de revitalização do Centro Histórico – Coração da Rainha, a Prefeitura de Bagé já executa as primeiras intervenções no prédio do Clube Comercial, que incluem as obras emergenciais para recuperar a estrutura e permitir que o imóvel volte a receber atividades antes mesmo da conclusão da restauração completa.
Segundo o coordenador da Gestão de Obras Privadas e Patrimônio Cultural da Secretaria de Gestão, Planejamento e Captação de Recursos (Geplan), Márlon Lameira, o trabalho concentra atualmente os esforços da equipe técnica. "Hoje a prioridade é o Comercial, ele é um prédio muito grande e exige uma dedicação maior", afirma.
A primeira intervenção será a recuperação da cobertura do salão principal, com recursos da Defesa Civil Nacional. Paralelamente, o município aguarda a liberação de aproximadamente R$ 1 milhão remanescente das obras da Panela do Candal, valor que será aplicado em uma segunda etapa emergencial. "Essa obra vai contemplar o restante da cobertura, pisos, forros, acessibilidade, instalação elétrica e toda a estrutura necessária para que o prédio possa voltar a ser utilizado com segurança", explica Lameira.
A proposta é devolver funcionalidade ao imóvel enquanto são buscados recursos para a restauração definitiva. "Mesmo que a restauração completa ainda leve algum tempo, a ideia é que o Clube já possa receber eventos. Tendo segurança, energia elétrica, PPCI e condições de uso, ele já pode voltar a cumprir sua função para a comunidade", destaca.
Além das obras emergenciais, o município protocolou recentemente um projeto junto ao Fundo de Apoio à Infraestrutura Cultural do Estado (FAC). Caso aprovado, o recurso permitirá executar uma nova etapa da recuperação do edifício.
Recuperação completa
Enquanto as primeiras obras buscam tornar o prédio novamente utilizável, a restauração integral permanece como objetivo da administração municipal. O projeto prevê a recuperação completa do imóvel, devolvendo ao prédio suas características originais e garantindo sua preservação.
Para ampliar as possibilidades de captação de recursos, a Prefeitura também conclui os trâmites para a transferência definitiva do prédio ao patrimônio municipal, medida considerada estratégica para viabilizar novos investimentos.
Centro de eventos e sustentabilidade
A proposta é transformar o Clube Comercial em um equipamento público voltado à realização de eventos, congressos, encontros culturais e atividades comunitárias.
Lameira explica que o prédio permanecerá livre de ocupação por secretarias municipais, preservando sua vocação original. "A ideia é que ele seja um grande centro de eventos. Tem salão principal, salas paralelas, espaço para restaurante, área para oficinas e reuniões. É um prédio muito completo", afirma.
O projeto ainda prevê a instalação de uma parrilla na área dos fundos e a criação de espaços destinados à iniciativa privada, como cafeteria ou restaurante, cuja concessão ajudará na manutenção permanente do imóvel. "Todo projeto de restauração que entregamos possui um plano de sustentabilidade. Não adianta restaurar e depois abandonar. A manutenção precisa ser contínua para evitar que o patrimônio volte a se deteriorar", declara.
Segundo ele, a expectativa é que o Clube Comercial esteja apto para receber atividades ao longo de 2027.
Prioridade do Coração da Rainha
A recuperação do Clube Comercial integra o Eixo 1 do plano Coração da Rainha, voltado à preservação do patrimônio histórico e requalificação dos principais prédios públicos de Bagé.
Embora a restauração da fachada da Casa de Cultura Pedro Wayne tenha sido a primeira intervenção concluída dentro do programa, Lameira afirma que o Clube Comercial tornou-se a principal prioridade da equipe devido à dimensão da obra e ao potencial de impacto para a revitalização do Centro Histórico.
Enquanto o Comercial concentra os trabalhos, outros projetos seguem em desenvolvimento, entre eles a revitalização do Calçadão, da Praça Silveira Martins e da Praça da Estação, além da implantação de um quarteirão piloto que reunirá melhorias em acessibilidade, paisagismo, mobilidade e infraestrutura urbana para demonstrar o modelo que deverá ser expandido ao restante do Centro Histórico. "O Clube é um dos primeiros passos desse processo. A ideia é mostrar que o centro pode voltar a ser um espaço vivo, preservando o patrimônio e criando oportunidades para a cidade", conclui Lameira.

