Cidade
Coreografia 'Poder Ancestral' leva Bagé ao pódio em Joinville
por Érica Alvarenga
A Cia Bageense de Arte e Dança voltou a colocar Bagé entre os destaques do maior festival de dança do mundo. Com a coreografia Poder Ancestral, o grupo conquistou o terceiro lugar na categoria Danças Populares Brasileiras durante a 43ª edição do Festival de Dança de Joinville, em Santa Catarina.
A apresentação aconteceu na noite de segunda-feira, 27, no Palco Oficial da Mostra Competitiva, espaço reservado às coreografias aprovadas em uma criteriosa seleção nacional. Neste ano, a companhia foi a única representante de Bagé classificada para disputar a competição oficial.
Dirigida pelo coreógrafo bajeense Dii Santos, a obra propõe um mergulho na ancestralidade afro-brasileira por meio da dança. Em cena, os bailarinos utilizam galhos como elementos cênicos e movimentos intensos evocam memória, resistência, identidade e pertencimento.
Segundo o coreógrafo, a proposta nasceu do desejo de valorizar a riqueza da cultura afro-brasileira e romper estereótipos sobre a produção artística gaúcha. "As pessoas, muitas vezes, pensam que no Rio Grande do Sul existe apenas dança tradicionalista. A companhia também surge para mostrar outra realidade e valorizar nossa ancestralidade, nossa diversidade e a riqueza da cultura afro-brasileira", destaca.
Mais do que a conquista do terceiro lugar, Dii comemora o reconhecimento obtido ainda na fase classificatória. Conforme ele, mais de 190 vídeos foram inscritos apenas na categoria Danças Populares Brasileiras, mas somente cinco coreografias avançaram para a Mostra Competitiva. Dessas, duas eram de sua autoria.
"Para mim, o maior feito já tinha acontecido quando os trabalhos foram aprovados. Depois veio a surpresa de ver as duas coreografias no pódio: a de Pelotas conquistou o primeiro lugar e a de Bagé ficou com o terceiro. É algo muito grandioso para um artista do interior do Rio Grande do Sul", afirma.
Trabalho coletivo
Criada há quase uma década, a Cia Bageense de Arte e Dança reúne bailarinos de diferentes escolas do município. Muitos já não integram grupos de dança e retornam aos ensaios aos finais de semana especialmente para participar da companhia, que mantém suas atividades de forma colaborativa.
Mesmo morando em Pelotas há oito anos, Dii Santos continua conduzindo o projeto gratuitamente. Os ensaios acontecem nos finais de semana, reunindo talentos da cidade em torno de um objetivo comum: representar Bagé em festivais nacionais. "É um trabalho de união. A gente reúne bailarinos de diferentes escolas, pessoas que já não dançam mais em nenhum grupo e jovens que voltam para ensaiar aos finais de semana. O objetivo é somar talentos e representar Bagé da melhor forma possível", define.
A companhia também mantém uma trajetória consistente em Joinville. Em participações anteriores, conquistou o segundo lugar, depois o título de campeã da categoria, retornou ao Palco Oficial em uma edição seguinte e, agora, voltou ao pódio com o terceiro lugar.
Para os bailarinos, a experiência vai muito além da premiação. A estudante Eduarda da Silveira Tavares dos Santos, de 17 anos, conta que o festival proporcionou contato com diferentes estilos e profissionais da dança. "Durante o festival tive a oportunidade de assistir a apresentações maravilhosas, participar de atividades e conviver com profissionais e estudantes apaixonados pela arte da dança. Cada espetáculo trouxe novos aprendizados, inspiração e motivação para continuar aperfeiçoando minha dança", pondera.
A integrante mais jovem da companhia, Maria Luiza Mendonça, de 14 anos, viveu um momento especial ao estrear no Palco Oficial do festival. "Nunca imaginei pisar no Palcão com 14 anos. A Cia Bageense fez meu sonho virar realidade. Estou muito feliz por ter participado desse momento e por conquistar o terceiro lugar no maior festival de dança do mundo. Foi uma experiência que marcou a minha vida na dança", explica.
Poder Ancestral
A coreografia apresentada pela Cia Bageense de Arte e Dança aborda a ancestralidade afro-brasileira como elemento de força, memória e pertencimento. Em cena, galhos simbolizam a conexão entre céu e terra, enquanto o figurino branco remete à pureza, sabedoria e espiritualidade. O espetáculo busca valorizar as origens e reafirmar a dança como instrumento de celebração da vida e da identidade cultural.

