Saúde
Reumatismo não tem idade: diagnóstico precoce ajuda a preservar a qualidade de vida
Especialista alerta que dores persistentes nas articulações não devem ser encaradas como consequência natural do envelhecimento
por Miquéli Romero
Sentir dores nas articulações e acreditar que elas fazem parte do envelhecimento ainda é uma realidade para muitas pessoas. Esse pensamento, porém, pode atrasar o diagnóstico de doenças que, quando identificadas precocemente, têm maiores chances de controle e preservação da qualidade de vida. Mais do que uma única enfermidade, o reumatismo reúne um amplo grupo de doenças que podem atingir pessoas de qualquer idade.
Segundo a médica reumatologista Ana Carolina Milán, especializada pelo Hospital Moinhos de Vento e que realiza atendimentos quinzenais na Clínica Singular Saúde, em Bagé, o termo “reumatismo” é popularmente utilizado para descrever diversas doenças que acometem articulações, músculos, ossos, tendões e até órgãos internos.
“Na medicina, reumatismo não representa uma doença específica. É um conjunto de mais de cem doenças reumáticas, entre elas artrite reumatoide, artrose, gota, lúpus, fibromialgia e as espondiloartrites”, explica.
Ao contrário do que muitos imaginam, essas doenças não afetam apenas idosos. Crianças, adolescentes, adultos e pessoas da terceira idade podem desenvolver diferentes enfermidades reumatológicas. Algumas têm origem autoimune, quando o sistema imunológico passa a atacar o próprio organismo. Outras estão relacionadas ao desgaste das articulações, alterações metabólicas, fatores genéticos ou processos inflamatórios.
Quando a dor merece atenção
Embora dores ocasionais possam surgir após esforço físico ou pequenos traumas, sintomas persistentes devem ser investigados por um especialista.
Entre os principais sinais de alerta estão dor contínua nas articulações, inchaço, rigidez ao acordar que dura mais de 30 minutos, dificuldade para movimentar as mãos ou outras articulações, dor na coluna acompanhada de rigidez matinal, fraqueza muscular e cansaço intenso sem causa aparente.
Além das manifestações nas articulações, algumas doenças reumáticas podem provocar sintomas em outras partes do organismo, como febre persistente, manchas na pele, queda de cabelo, sensibilidade ao sol, olhos e boca secos e alteração da coloração dos dedos quando expostos ao frio, conhecida como fenômeno de Raynaud.
“Reconhecer esses sinais é fundamental para que o diagnóstico aconteça nas fases iniciais da doença, quando o tratamento costuma apresentar melhores resultados”, destaca a médica.
Diagnóstico precoce faz diferença
Muitas doenças reumáticas apresentam evolução progressiva quando não recebem tratamento adequado. Em alguns casos, a inflamação contínua pode provocar deformidades articulares, limitação dos movimentos e comprometimento da qualidade de vida.
Por outro lado, os avanços da medicina têm ampliado significativamente as possibilidades terapêuticas. Atualmente, existem medicamentos capazes de controlar a inflamação, aliviar os sintomas, preservar a função das articulações e permitir que a maioria dos pacientes mantenha uma rotina ativa.
Para Ana Carolina, a avaliação realizada pelo reumatologista continua sendo a principal ferramenta para identificar corretamente cada doença. “O diagnóstico começa com uma boa avaliação clínica e, quando necessário, é complementado por exames laboratoriais e de imagem. Cada paciente apresenta características próprias e, por isso, o tratamento deve ser individualizado”, explica.
Hábitos saudáveis ajudam na saúde das articulações
Embora nem todas as doenças reumáticas possam ser prevenidas, especialmente as de origem autoimune, alguns hábitos contribuem para preservar a saúde das articulações e do organismo.
Manter um peso adequado, praticar atividade física regularmente, evitar o tabagismo, cuidar da saúde bucal e controlar doenças como diabetes e hipertensão estão entre as recomendações dos especialistas.
A reumatologista também reforça que informação é uma importante aliada no cuidado com a saúde. Mitos como o de que “dor faz parte da idade” ou de que “não existe tratamento para reumatismo” ainda fazem muitas pessoas demorarem a procurar atendimento. “O diagnóstico precoce permite iniciar o tratamento antes que ocorram danos permanentes. Hoje, a maioria das doenças reumáticas pode ser controlada, possibilitando que o paciente tenha mais qualidade de vida e mantenha suas atividades normalmente”, conclui.

