Cidade
Projeto aproxima comunidade surda da vivência religiosa por meio da Libras em Bagé
por Melissa Louçan
Enquanto a acessibilidade vem ganhando espaço em áreas como educação e saúde, ainda são poucas as iniciativas voltadas à inclusão de pessoas surdas em ambientes religiosos. Foi dessa percepção que nasceu o projeto "Sinais que Acolhem – Igreja Acessível", idealizado pela bajeense Vitória Vasconcellos da Luz. A iniciativa busca aproximar a comunidade surda da vivência religiosa por meio da Língua Brasileira de Sinais (Libras) e terá sua primeira edição realizada na Catedral de São Sebastião, parceira do projeto.
O ciclo de formação é gratuito e contará com quatro encontros presenciais, nos dias 11, 18 e 25 de agosto e 1º de setembro, sempre das 19h às 21h. As atividades são abertas a toda a comunidade e abordarão a cultura surda, noções básicas de Libras e sinais específicos utilizados no contexto religioso católico.
Especialista em Libras, em Tradução e Interpretação de Libras e em Educação Especial e Inclusiva com Ênfase em Surdez e Libras, Vitória é mestre em Ensino e atualmente cursa doutorado na área. A ideia surgiu durante um projeto de extensão desenvolvido por ela, com orientação da professora Jênifer Rodrigues, da Escola Método Diamante. Ao refletir sobre os diferentes espaços em que a acessibilidade ainda precisa avançar, ela decidiu direcionar o trabalho para o ambiente religioso.
"Muito se vê em acessibilidade no contexto escolar e de saúde, mas pouco se fala sobre isso em lugares como o lazer e a religião", afirma. Segundo ela, as pessoas surdas também têm o direito de acessar esses espaços, conhecer diferentes religiões e fazer suas próprias escolhas.
Durante os encontros, os participantes aprenderão desde apresentações e formas de acolhimento até vocabulário relacionado às celebrações e orações da Igreja Católica. A proposta é oferecer um primeiro contato com a Libras e sensibilizar os participantes sobre a importância da comunicação para uma inclusão efetiva.
Além da formação presencial, o projeto resultou na produção de um e-book gratuito com orientações sobre acessibilidade, inclusão, acolhimento nas igrejas e Libras. O material foi registrado e licenciado, podendo ser acessado gratuitamente por pessoas de Bagé e de outras localidades. Também foram produzidos cartazes e folders distribuídos em igrejas católicas do município.
Embora a primeira edição seja sediada na Catedral de São Sebastião, o curso não se restringe aos integrantes da comunidade local. Entre os inscritos estão padres, catequistas, secretárias paroquiais e agentes de pastoral, mas qualquer pessoa interessada pode participar, inclusive de outras denominações religiosas. Vitória ressalta, no entanto, que parte do conteúdo aborda sinais e vocabulário específicos do contexto católico.
O encerramento, em 1º de setembro, deverá reunir participantes do curso e integrantes da comunidade surda de Bagé, promovendo um momento de interação e marcando o início do Setembro Azul, mês dedicado à conscientização sobre a comunidade surda.
A idealizadora explica que a intenção é avaliar os resultados desta primeira edição antes de pensar em novas turmas. "Vamos analisar como será esta edição para que possamos pensar outras", diz.

